É como habitualmente uma leitura agradável, que rapidamente atinge um ritmo frenético, infelizmente a autora começa a perder-se já perto do final. Claro que hoje em dia, tudo em que Ferrante toca, transforma-se em ouro.

A Vida Mentorosa dos Adultos de Elena Ferrante

Editado pela Relógio d’Água, com tradução de Margarida Periquito.

Os adultos são pessoas muito pouco recomendáveis, mas francamente, os seus filhos não são melhores. Tudo se perpetua e repete até ao infinito.

Para quem leu o quarteto de romances napolitanos, reconhece-os aqui sem dificuldade. A parte alta e baixa da sociedade italiana (napolitana), a gente chã e os intelectuais da esquerda manhosa sempre aspirando a muito mais, as mulheres bonitas e as feias, os homens altos de ombros largos — incluindo sempre o particularmente carismático, aquelas personalidades paradoxais — Giovanna faz lembrar Lila por vezes, Lenú por outras —, aquelas famílias, os lugares… a verdade é que não acrescenta muito, é derivativo e no fim, fica longe do melhor de Elena Ferrante.

Não posso dizer que não gostei, mas também não posso dizer que gostei. Foi melhor a viagem, estar em movimento, do que chegar ao destino A beleza de Giovanna, que aos 12 anos apanhou o pai a dizer à mãe que ela se estava a tornar feia como a tia Vittoria, está nos olhos de quem a vê.