Hoje em dia já ninguém lá vai, aquilo está cheio de gente

Artigos da categoria “Eu

Useless to the World

Publicado em 16/01/2022

You are not an evil human; you are not without intellect and education; you have everything that could make you a credit to human society. Moreover, I am acquainted with your heart and know that few are better, but you are nevertheless irritating and unbearable, and I consider it most difficult to live with you.
All of your good qualities become obscured by your super-cleverness and are made useless to the world merely because of your rage at wanting to know everything better than others; of wanting to improve and master what you cannot command. With this you embitter the people around you, since no one want to be improved or enlightened in such a forceful way, least of all by such an insignificant individual as you still are; no one can tolerate being reproved by you, who also still show so many weaknesses yourself, least of all in your adverse manner, which in oracular tones, proclaims this is so and so, without ever supposing an objection.
If you were less like you, you would only be ridiculous, but thus as you are, you are highly annoying.

—Johanna Schopenhauer, carta para o filho, o filósofo Arthur Schopenhauer, 6 de Novembro de 1807

Hatsuyume

Publicado em 04/01/2022

Na cultura japonesa, Hatsuyume é o primeiro sonho do ano. Tradicionalmente, o que se passa nesse sonho determina a sorte do sonhador para o ano inteiro. É considerada especialmente boa sorte sonhar com o Monte Fuji, beringelas ou com um falcão.
Como nunca me lembro dos sonhos, o ano é sempre uma surpresa e no fim acabo por não me queixar muito (embora me queixe frequentemente durante). De qualquer forma, consigo praticamente assegurar que nunca na minha vida sonhei com o Monte Fuji, ou um falcão e principalmente com beringelas.

Cozinha

Publicado em 03/01/2022

Escolher a cozinha foi para mim uma decisão importante, porque não só desde sempre observei que já em casa dos meus pais passávamos uma quantidade de tempo desproporcional na cozinha, mas também porque todos os estudos confirmam essa vivência. A oferta é enorme e claro, que além das cozinhas “de carpinteiro”, há dezenas de marcas que por sua vez têm dezenas de opções para dezenas de pormenores, tudo somado, as combinações são na prática infinitas.
Escolhi uma cozinha que tinha apenas uma opção de balcão, uma opção de design dos diversos componentes e duas cores, branco ou cinzento — escolhi esta última. Sem inúmeras possibilidades a atrapalhar, pude-me concentrar na configuração e detalhes. Desenhei tudo como queria apesar de não ter todos os dados técnicos e pouco depois o arquitecto do representante da marca reproduziu exactamente igual, menos um detalhe com o micro-ondas e forno. Fui a Lisboa para ver in loco e concluir a compra. Informaram-me na altura que a cozinha já só existia em branco. Mais me facilitou a vida. Decidi branco.
Ou achava eu, porque em casa a opção branco não foi exactamente bem recebida, embora depois tenha sido uma coisa que resultou, mas isso é outra história. Se a vida não fosse difícil, seria fácil. Tudo isto, a propósito do texto anterior, sobre ansiedade e preocupações.