Hoje em dia já ninguém lá vai, aquilo está cheio de gente

Artigos da categoria “Livros

By Possibility

Publicado em 03/01/2022

Anxiety and worrying are provoked by possibility, not certainty. In fact, many people are less happy when they have more choices, because they have more to worry about. When everything is up in the air, the amygdala becomes more reactive. So, if you tend to worry, reduce your options and make quick decisions whenever possible. As soon as you make a decision, however small, everything starts to feel more manageable.

—Alex Korb, The Upward Spiral, New Harbinger 2015

Fora de Questão

Publicado em 24/12/2021

Ainda nos restava cerca de uma hora para matar; estava fora de questão ir para a discoteca antes das vinte e três horas e trinta minutos, nesse ponto fui firme. Após uma rápida conversa, fomos dar um salto até à missa do galo: o padre falava de uma enorme esperança que se tinha erguido no coração dos homens; eu não tinha nada a objectar quanto a isso.

—Michel Houellebecq, Extensão do Domínio da Luta, Alfaguara 2016 (1994)

Hábitos Atómicos

Publicado em 11/12/2021

Hábitos Atómicos

James Clear, Hábitos Atómicos, Lua de Papel, 2019 (2018).

Não sei porque comprei este livro, acho que vi boas referências algures na internet e resolvi comprar em inglês e depois desisti. Mas um dia cruzei-me com ele em português, comprei e resolvi começar a ler porque parecia um daqueles fáceis e rápidos (é). Eu nem sei classificar muito bem este tipo de livros que raramente leio, será auto-ajuda? Também é bastante estranho eu ler livros de onde já sei praticamente tudo, mas às vezes gosto, porque o meu conhecimento aparece sistematizado, bem organizado e por vezes muito bem escrito. Este será médio nesse contexto, mas numa palavra James Clear expõe bem o caso, gostei.
A base é que cultivando pequenos (daí o atómicos) bons hábitos, podemos melhorar bastante a nossa vida, ser mais produtivos, andar mais satisfeitos e, aqui é que acabei por ficar um pouco surpreendido, mudar quem somos. Mas é óbvio e já o fazemos inconscientemente desde que nascemos, não é um pequeno hábito, são centenas ou milhares ao longo da vida. Os maus hábitos que praticamente se cultivam a si próprios, fazem exactamente o mesmo.
A diferença que faz um pequeno hábito é muito fácil de explicar através deste próprio blogue. Se eu durante dez anos publicar apenas uma coisa por semana, fico com mais de 520 posts feitos. Podemos extrapolar isso para qualquer actividade, boa ou má. A perda de tempo por exemplo, um mau hábito de navegar sem sentido na internet, tira-nos anos de vida. Um por semana é um objectivo muito modesto, eu aqui já publiquei quase 700 coisas a um ritmo de uma por dia ou mais. Dez anos deste regime totalizarão mais de 3.650 posts. Pode não valer nada, mas fui eu que fiz.
Claro que há hábitos que são bons ou maus em termos absolutos, mas outros dependem de quem os pratica e da pessoa que se quer ser. Comer pode ser um mau hábito para quem quer ser magro, mas um bom hábito para quem precisa de ganhar peso. Eu gosto de escrever neste blogue, para mim é um bom hábito, para outra pessoa será uma enorme perda de tempo.
Outro conceito interessante é que um parceiro fiscalizador pode mudar tudo, mas pela minha experiência, pode também não mudar nada, pelo menos nada de bom… sempre que me armei em fiscal (é uma palavra magnífica) de hábitos alheios arrependi-me amargamente. Agora a minha filosofia centra-se em que desde que não me chateiem ou interfiram com a minha vida e os meus próprios hábitos, cada um que faça o que quiser. Também gosto bastante que depois não se venham queixar, que não têm dinheiro, ou que não têm tempo, que a vida corre mal, ou do que seja, porque não me interessa realmente nada.
E por fim um elogio que pode ser uma crítica — o livro lê-se tão bem que durante as cinco noites que demorei, apaguei a luz ainda mais tarde do que habitual, quando o hábito atómico que andava a ensaiar era apagar a luz mais cedo, dormir sete horas e consequentemente levantar-me mais cedo. Falhei estrondosamente.
O site de James Clear também não é nada mau (e o design é do melhor que tenho visto para ser lido) e assinei a newsletter 3-2-1 “The most wisdom per word of any newsletter on the web.”, para ver se realmente são cinco minutos bem gastos por semana. Para o género, foi uma boa surpresa este autor.
Entretanto recebi a primeira newsletter e entre outras coisas:

Think about what you want today and you’ll spend your time.
Think about what you want in five years and you’ll invest your time.

É exactamente isto e ainda acrescento que a forma como passamos os nossos dias é a forma como passamos a nossa vida.

The Normal

Publicado em 07/12/2021

The key, if you want to build habits that last, is to join a group where the desired behavior is the normal behavior.

—James Clear, Atomic Habits, Avery, 2018

(Isto é uma forma de dizer aquilo que na prática foi a minha educação básica. O terror dos meus pais e dos meus avós sempre foram as companhias. E o pior é que funciona ainda melhor para comportamentos e hábitos indesejados. Parece óbvio, mas está muito longe de o ser para mesmo muita gente.)

Chimpanzés

Publicado em 06/12/2021

Um estudo determinou que quando um chimpanzé descobre uma maneira eficaz de partir nozes enquanto pertence a um grupo e depois muda para outro grupo que tem uma estratégia menos eficaz, evitará usar o método melhor, só para não se evidenciar dos outros chimpanzés.

—James Clear, Hábitos Atómicos, Lua de Papel, 2019 (2018)

Tendem

Publicado em 29/10/2021

Por muito diferentes que possam ser entre si, as quatro figuras emblemáticas da existência pós-moderna [deambulador (flanêur), vagabundo, turista e jogador], entretecidas e interpenetrando-se, têm em comum o facto de visarem a repartição do processo da existência numa série de episódios (idealmente) auto-suficientes e fechados sobre si próprios, sem passado e sem consequências, sendo o resultado que tendem a resultar as relações humanas fragmentárias e descontínuas — impedem a construção de redes duradouras de deveres e obrigações mútuos. Todas estas figuras apreendem o Outro fundamentalmente como objecto de avaliação, não moral, mas estética; como fonte, não de responsabilidade, mas de sensações. Tendem por conseguinte a eximir uma enorme área das interações humanas, incluindo as mais íntimas, do juízo moral.

—Zygmunt Bauman, A Vida Fragmentada, Relógio D’Água, 2007

Potential

Publicado em 24/10/2021

If I were to wish for anything, I should not wish for wealth and power, but for the passionate sense of the potential, for the eye which, ever young and ardent, sees the possible. Pleasure disappoints, possibility never. And what wine is so sparkling, what is so fragant, what so intoxicating, as possibility!

—Søren Kierkegaard, Either/Or Vol. 1, 1959