Hoje em dia já ninguém lá vai, aquilo está cheio de gente

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A Evolução de Uma Colecção de Discos

Publicado em 24/04/2021

Technics SL-1200GR

A tocar Cass McCombs, Mangy Love, 2016.

Por facilidade de linguagem, vou dizer 10 anos. Há 10 anos, notei que o meu gosto musical estava não só a mudar, como a alargar. Músicas que ouvia desde os meus 16 anos, começaram a soar pior, tendo algumas caído na mais completa desgraça e rápido esquecimento. Cumpriram a sua função durante muitos anos e é tudo. Mesmo discos com conotação audiófila, como “Loveless” dos My Bloody Valentine (a minha banda preferida desses tempos) já não são a mesma coisa. Grupos como Cocteau Twins já não suporto e escolhi esta banda consensual só para frisar este ponto, porque há muitas mais. Não digo que são más, não são. O que digo, é que por mim deixaram de fazer o que quer que seja há muito tempo.
Entretanto, quando mudei para a casa actual há mais de dois anos, iniciei uma jornada — ou melhor, iniciei a parte final de uma jornada que começou há mesmo muito tempo e que sempre me fez desejar ter uma aparelhagem de alta fidelidade digna desse nome. Tenho agora uma sala dedicada aos livros e ao som, uma combinação que resulta magnificamente porque os livros são difusores naturais. E tenho três paredes cheias deles. E tenho som.
O que noto é uma translação do gosto musical para outras paragens, nomeadamente, discos bem gravados. Tornou-se penoso ouvir discos mal gravados (com a gama dinâmica destruída para “tocarem muito alto” no rádio do carro), ou no caso do vinil, também discos mal editados, com prensagens muito más. A transparência sonora que permite sair deste mundo quando se ouve um disco, é transversal e o que é mau também faz a sua aparição inevitável. Estas aparelhagens high-end ou super high-end não arredondam o som, nem o amaciam, se a música que se ouve é áspera, aspereza é o que teremos. E não gosto. Discos da Analogue Productions, Craft Records, Sam Records, Impex ou Mobility Fidelity Sound Lab, tornaram-se a base de comparação porque em bom rigor um disco novo editado hoje, não tem razão para não sair com esses índices de perfeição. Essas etiquetas audiófilas trabalham essencialmente com reedições, recorrendo às master tapes originais e o preço acaba por se entender, tendo em conta os resultados. Mas, esgotam permanentemente e os discos atingem valores incomportáveis. Comprei a edição de 2015 do “Kind of Blue” de Miles Davis da Mofi (o qual já tenho em CD, vinil mono e vinil stereo) e na pesquisa reparei que há casas a pedir 400£ por uma cópia (se não me engano custou-me 75,00€, o que apesar de tudo, é bastante por um álbum).
E assim, a minha colecção de CDs está praticamente estagnada, a minha colecção de vinil tem crescido imenso e têm chegado tantos que é difícil dar conta de todos. O satisfatório é que tenho comprado álbuns que são agora os melhores que tenho de qualquer género, como o Legrand Jazz (Michel Legrand) da Impex em 2 x 45rpm ou Chet Baker in New York da Craft Recordings. São discos maravilhosos, inacreditavelmente bons. Neste momento terei 22 discos por ouvir, em grande parte porque comprei mais seis da Sam Records e também chegaram os quatro discos da The New Orleans Collection da Newvelle. E estes discos, em edições notavelmente melhores que as originais, permitem-me descobrir ou redescobrir música que me passou completamente ao lado nos tempos idos.
E para ouvir isto tudo, espero até ao fim deste ano dar um grande passo em direcção ao fim da jornada com o gira-discos Technics SL-1000R e a agulha DS W2 da DS Audio (Também a Shell HS-001). Por acaso neste vídeo (YouTube) tem exactamente esta combinação Technics/DS Audio a tocar.
E depois disto, só é preciso ir comprando uns discos, ter tempo para os ouvir e desfrutar.

DS Audio DS002

Publicado em 16/11/2020

DS Audio DS002

Mais uma oportunidade na Ultimate Audio para comprovar que estes conjuntos de célula e equalizador da DS Audio estão num campeonato próprio. Desta vez foi a DS002, subindo um nível relativamente à DS-E1. O detalhe e clareza é de outro mundo, mas achei os agudos um nadinha proeminentes (talvez culpe as colunas por isso).
De meados dos anos 80 e pela década de 90 adentro, nunca fui grande ouvinte de Prefab Sprout — nem de Pop e a New Wave tinha ficado para trás, sobrevivendo até hoje B-52’s e pouco mais. Bauhaus, Christian Death, Death In June, Alien Sex Fiend (era um revoltado) e depois My Bloody Valentine e toda a casta de shoegazers era mais o meu som. É raro o disco dessa época que na minha opinião passa o teste da transparência e detalhe, da boa gravação e bom som. Prefab Sprout, mesmo não querendo, era obrigado a ouvir, aquilo tocava em toda a parte. Conclusão, via DS002, ouvi realmente Prefab Sprout pela primeira vez e, surpresa, toca optimamente. E cada vez menos surpreendente, as prensagens antigas superam frequentemente as de hoje o que não deixa de ser desanimador para o comprador habitual de vinil.

DS Audio DS-E1

Publicado em 24/10/2020

DS Audio DS-E1

Foi possível ouvir novamente a DS Audio DS-E1, afinal a outra estaria com um problema. O som não é assim tão diferente, o que eu tinha escrito antes implicava um diferente no mau sentido, um som clínico digno de uma enfermaria. Não é, mas também não é igual ao que estou habituado.
A voz de Agnes Obel surge com uma claridade e nitidez que até hoje não tinha sido igualada nos meus ouvidos. Nitin Sawhney da caixa OneZero, com as músicas Devil and Midnight e Longing quase que alagava a casa. São 10 pessoas em palco, o centro está um pouco congestionado, mas não com a DS-E1 onde é tudo rápido e nítido. Ao ouvir o mesmo com uma agulha Hana SL, tocando bem, foi-se a definição, foram-se os graves apertados mas com imenso espaço em volta e, sim, o centro congestionou-se. As três ou quatro vozes nem de longe, se deixam ouvir de forma tão límpida e distinta.
Reparei numa diminuição do ruído do próprio vinil, entre faixas. Há uma baixa frequência omnipresente em todas as outras células, que praticamente desapareceu e curiosamente os ruídos que subsistem são também eles mais nítidos e definidos. Não notei uma diminuição do palco, o que é uma queixa que existe comparativamente com as células convencionais, mas como habitualmente não foi uma audição crítica. Pareceu-me um som único, uma abertura de horizontes, e isso equivale a dizer que a música e uma certa noção de uns momentos bem passados, estão primeiro. E estiveram bem.
O gizmo que se vê a rodar é o clamp da Oyaide, STB-HW. Foi na Ultimate Audio.