Hoje em dia já ninguém lá vai, aquilo está cheio de gente

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DS Audio HS-001

Publicado em 24/05/2021

Chegou esta peça numa espécie de caixinha de joalharia, destinada ao gira-discos Technics SL-1000R (que apesar do preço, não inclui shell), mas já que aqui está, instalei-a no Technics SL-1200GR e que diferença assombrosa.
Esta shell DS Audio HS-001 é maquinada a partir de um bloco de duralumin e tem um acabamento verdadeiramente de luxo. Como sempre acontece nestas coisas, antes, a shell original do gira-discos parecia boa e adequada à função, depois… é uma coisita de plástico surpreendentemente fraca.
A música num gira-discos começa obviamente no disco e através da agulha segue um percurso sinuoso pelo braço até ao pré-amplificador phono, daí para o pré-amplificador, para o amplificador, para as colunas e finalmente para os nossos ouvidos. Passamos de uma corrente fraquíssima modulada em forma de música que nasce na célula para algo que se consiga ouvir através deste sistema que chocalha constantemente — é um conjunto dinâmico e caótico de jiggling things, como dizia Richard Feynman. Controlar esse constante chocalhar é mais fácil de dizer do que fazer, mas é em última análise um dos grandes objectivos de um bom gira-discos.
E assim, acho que se percebem duas coisas que notei imediatamente: A primeira uma precisão sonora que corresponde metaforicamente à precisão da HS-001, incrível. A segunda foi mais difícil, primeiro comecei a achar os discos mais silenciosos ao que se juntava um destaque mais acentuado de todos os micro-sons e efeitos. E essa sensação crescia com cada nova música… e lembrei-me das descrições que já li inúmeras vezes: O palco ficou completamente negro. O som passou a surgir de um fundo negro e sem perturbações, tudo parece mais nítido e profundo.
Portanto, aconteceu mais uma vez. A DS Audio HS-001 e os cabos XLR Esprit Eterna, transformaram algo que eu já considerava bom em algo bem melhor. Ainda há poucos dias eu não sentia falta destes melhoramentos, mas depois de ouvir, é impossível voltar atrás.

Torus Power RM 16 CE

Publicado em 24/09/2020

Torus Power RM 16 CE

Com o filtro de corrente Nuprime Pure AC-4 a qualidade do som deu um salto impossível, estava curioso para saber se ainda melhorava com o regenerador de corrente Torus Power RM 16 CE — emprestado pela Ultimate Audio —, uma máquina bastante mais substancial. Enorme mesmo, com 54Kg, apesar de boa construção, uma caixa preta sem qualquer característica especial e apenas um grande interruptor azul no painel frontal. Nem uma informação sobre o que se está a passar, ao contrário do Nuprime com os seus números excessivamente luminosos.
A tocar em comparação directa com o Pure AC-4 ligado com um cabo Oyaide Tunami GPX-Re, bate-o sem apelo nem agravo. Lá se foi o salto impossível! Como é possível algo que só manipula a corrente de entrada, ter este efeito tão profundo no som? Não percebo. Explicações científicas são esparsas, na alta fidelidade o esoterismo ainda é o que era. Mas mais uma vez, mais de tudo, logo a começar pela definição e detalhe, seguida de ar em volta dos intérpretes. Palco profundo, uma presença inacreditável das vozes e se já havia silêncio, há mais. Se já havia solidez, agora é maciça. E há mais sons, alguns subtis, outros não. O detalhe agora é tanto que nem se pode dizer apenas que toca tudo melhor, a diferença é entre lá estar ou simplesmente não estar e nunca sequer ter existido para mim. É de ficar pasmado.
Coloco o “Love Letter for Fire” (vinil) de Sam Beam e Jesca Hoop e é um exemplo acabado do que acabei de escrever: De onde saíram todos estes sons? É outro disco. Cigarettes After Sex homónimo (vinil), o primeiro álbum, com tanto de calmo como de problemático nos graves — agora sem qualquer problema e com os graves controlados, sobressai a música e o timbre peculiar da voz… é outro disco. O RM 16 CE é uma discografia toda nova. Com “The Last Resort” (vinil) de Trentemøller, as notas electrónicas percorrem o palco como meninos rabinos, com “Obverse” (vinil) também de Trentemøller as vozes de Rachel Goswell (Slowdive) ou Jenny Lee (Warpaint) surgem-me à frente como nunca aconteceu. Ao ouvir o CD “Matané Malit” de Elina Duni Quartet, quase que dá para entender aquelas doces palavras albanesas.
Eu até preferia que o Nuprime Pure AC-4 conseguisse andar próximo. Eu até preferia viver sem este caixote gigante que ficou curto em alguma beleza, mas já não consigo. Voltar a ligar tudo à parede tornou-se verdadeiramente impensável.

Transporte C.E.C. TL-5

Publicado em 02/07/2020

CEC TL-5

Um transporte é basicamente um leitor de CD sem DAC. Um DAC é o que converte o sinal digital para um sinal analógico que podemos ouvir transmitido pelas colunas, depois de devidamente amplificado. Neste caso foi utilizado um Ayon S-10 II. Mas mais uma vez a atenção estava essencialmente nas colunas Apertura Edena Evolution. Bem tento levar coisas diferentes. mas não há nada que toque mal, é impressionante. Na Ultimate Audio.

  • Django, Django, Marble Skyes, 2018
  • Underworld, Dubnobasswithmyheadman, 1994
  • David Sylvian, Secrets of the Beeehive, 1987
  • Aimee Mann, Magnolia, 1999
  • Fink, Distance and Time, 2007
  • Tricky, Ununiform, 2017
  • Wolfgang Muthspiel, Scott Colley, Brian Blade, Angular Blues, 2020
  • John Zorn, Masada VIII, 1997
  • Agnes Obel, Late Night Tales, 2018 (compilação de onde ouvi Lee Hazelwood, Lena Platonos, Agnes Obel, Sibylle Baier e Michelle Gurevich)
  • Can, Future Days, 1973 (via bluetooth)

Gira-discos Dr. Feickert Volare

Publicado em 29/06/2020

Dr. Feickert Volare

Audição de um gira-discos Dr. Feickert Volare com braço Jelco — empresa com 100 anos, encerrada recentemente como consequência da Covid-19 —, e agulha Audio Technica OC9 com alguns anos. Foram utilizados dois pré-amplificadores phono, primeiro um Sonneteer Sedley com quase 20 anos e depois, um Elac PPA2 novo. A diferença que faz um pré-amplificador… ligar o Elac é como abrir a janela e deixar entrar ar para o som circular por ali. É uma diferença enorme. Mas não consta que o Sonneteer Sedley seja má máquina e antes do Elac estava a tocar bem… mas depois da janela abrir, não voltou a fechar. Foi na Ultimate Audio.


A música por ordem:

  • Terry Callier, What Color Love Is, 1973
  • Cassandra Wilson, Traveling Miles, 1999
  • John Coltrane, A Love Supreme, 1965
  • Minoru Muraoka, Bamboo, 1970
  • Cowboys Junkies, Trinity Sessions, 1988
  • Trentemøller, The Last Resort, 2006 (edição 2018)
  • Jarvis Cocker, Chilly Gonzales, Room 29, 2017
  • Marlon Williams, Make Way for Love, 2018
  • Benjamim Clementine, At Least For Now, 2014