Hoje em dia já ninguém lá vai, aquilo está cheio de gente

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Miles Davis, Kind of Blue UHQR

Publicado em 12/08/2021

Miles Davis Miles Davis Miles Davis Miles Davis Miles Davis

Mais de três meses depois de ter encomendado, incluindo mais de mês e meio aos trambolhões na FedEx, tenho finalmente esta edição definitiva (se não contarmos com a futura UHQR em disco duplo de 45rpm) de Kind of Blue de Miles Davis. Não sou apreciador da embalagem, que entendo como ajuda na justificação do alto preço do disco. Preferia pagar menos 10% e receber apenas a capa dupla de alta qualidade incluída no interior.
É o disco de jazz mais vendido de sempre, o que parece ser extrapolado por aparentemente toda a gente ter múltiplas cópias do mesmo, sempre em busca da melhor qualidade sonora e das pequenas diferenças que o justifiquem. Eu tenho cinco, incluindo dois desta versão. Uma delas, absolutamente inaceitável de ruído, mais uma coisa que não entendo, estando agora no processo de receber um substituto.
Sobre o disco e da sua espantosa genialidade de improvisão, incluindo três músicas gravadas num único take, já tudo foi dito. Sobre o som, é de tal forma inacreditável que é como ouvir o disco pela primeira vez. Se excluirmos o completismo de querer ter a edição de 45rpm, pode-se dizer sem sombra para qualquer dúvida que a busca terminou. Fosse assim gravado, produzido e fabricado todo o vinil.
Comprar na Acoustics Sounds (se vier sozinho, é disco para chegar cá a custar no total uns 175,00€).

A Evolução de Uma Colecção de Discos

Publicado em 24/04/2021

Technics SL-1200GR

A tocar Cass McCombs, Mangy Love, 2016.

Por facilidade de linguagem, vou dizer 10 anos. Há 10 anos, notei que o meu gosto musical estava não só a mudar, como a alargar. Músicas que ouvia desde os meus 16 anos, começaram a soar pior, tendo algumas caído na mais completa desgraça e rápido esquecimento. Cumpriram a sua função durante muitos anos e é tudo. Mesmo discos com conotação audiófila, como “Loveless” dos My Bloody Valentine (a minha banda preferida desses tempos) já não são a mesma coisa. Grupos como Cocteau Twins já não suporto e escolhi esta banda consensual só para frisar este ponto, porque há muitas mais. Não digo que são más, não são. O que digo, é que por mim deixaram de fazer o que quer que seja há muito tempo.
Entretanto, quando mudei para a casa actual há mais de dois anos, iniciei uma jornada — ou melhor, iniciei a parte final de uma jornada que começou há mesmo muito tempo e que sempre me fez desejar ter uma aparelhagem de alta fidelidade digna desse nome. Tenho agora uma sala dedicada aos livros e ao som, uma combinação que resulta magnificamente porque os livros são difusores naturais. E tenho três paredes cheias deles. E tenho som.
O que noto é uma translação do gosto musical para outras paragens, nomeadamente, discos bem gravados. Tornou-se penoso ouvir discos mal gravados (com a gama dinâmica destruída para “tocarem muito alto” no rádio do carro), ou no caso do vinil, também discos mal editados, com prensagens muito más. A transparência sonora que permite sair deste mundo quando se ouve um disco, é transversal e o que é mau também faz a sua aparição inevitável. Estas aparelhagens high-end ou super high-end não arredondam o som, nem o amaciam, se a música que se ouve é áspera, aspereza é o que teremos. E não gosto. Discos da Analogue Productions, Craft Records, Sam Records, Impex ou Mobility Fidelity Sound Lab, tornaram-se a base de comparação porque em bom rigor um disco novo editado hoje, não tem razão para não sair com esses índices de perfeição. Essas etiquetas audiófilas trabalham essencialmente com reedições, recorrendo às master tapes originais e o preço acaba por se entender, tendo em conta os resultados. Mas, esgotam permanentemente e os discos atingem valores incomportáveis. Comprei a edição de 2015 do “Kind of Blue” de Miles Davis da Mofi (o qual já tenho em CD, vinil mono e vinil stereo) e na pesquisa reparei que há casas a pedir 400£ por uma cópia (se não me engano custou-me 75,00€, o que apesar de tudo, é bastante por um álbum).
E assim, a minha colecção de CDs está praticamente estagnada, a minha colecção de vinil tem crescido imenso e têm chegado tantos que é difícil dar conta de todos. O satisfatório é que tenho comprado álbuns que são agora os melhores que tenho de qualquer género, como o Legrand Jazz (Michel Legrand) da Impex em 2 x 45rpm ou Chet Baker in New York da Craft Recordings. São discos maravilhosos, inacreditavelmente bons. Neste momento terei 22 discos por ouvir, em grande parte porque comprei mais seis da Sam Records e também chegaram os quatro discos da The New Orleans Collection da Newvelle. E estes discos, em edições notavelmente melhores que as originais, permitem-me descobrir ou redescobrir música que me passou completamente ao lado nos tempos idos.
E para ouvir isto tudo, espero até ao fim deste ano dar um grande passo em direcção ao fim da jornada com o gira-discos Technics SL-1000R e a agulha DS W2 da DS Audio (Também a Shell HS-001). Por acaso neste vídeo (YouTube) tem exactamente esta combinação Technics/DS Audio a tocar.
E depois disto, só é preciso ir comprando uns discos, ter tempo para os ouvir e desfrutar.