Hoje em dia já ninguém lá vai, aquilo está cheio de gente

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A Tradução da Poesia de Louise Glück

Publicado em 08/09/2021

Presque Isle

In every life, there’s a moment or two.
In every life, a room somewhere, by the sea or in the mountains.

On the table, a dish of apricots. Pits in a white ashtray.
(…)

—Louise Glück, A Íris Selvagem, Relógio de Água, 2020


Presque Isle

Em cada vida há momentos.
Em cada vida há um quarto algures, à beira mar ou nas montanhas.

Sobre a mesa, um prato com damascos. Alguns caroços no cinzeiro branco.
(…)

Tradução de Ana Luísa Amaral


Presque Isle

Em cada vida há um momento ou dois.
Em cada vida, um quarto algures, à beira mar ou nas montanhas.

Na mesa, um prato de damascos. Caroços num cinzeiro branco.
(…)

Tradução minha


A Ana Luísa Amaral é uma tradutora prestigiada, não entendo a tradução neste livro. Sendo a poesia um jogo de subtilezas, este cunho pessoal, onde até a pontuação é outra, altera a relação entre as palavras e o leitor. O reparo não é de crítica — pobre do meu inglês —, é de incompreensão.
Os exemplos são inúmeros, eventualmente em cada poema. Li um há pouco que fala do “arejo”, um fungo dos tomateiros, compreende-se que seja difícil atingir essa especificidade para quem não é da área — e no meu caso é por mera sorte. De qualquer forma, no que é de fácil ou mais imediata tradução, é incompreensível.


Vésperas

(…) on the other hand,
I planted the seeds, I watched the first shoots
like wings tearing the soil, and it was my heart
broken by the blight, the black spot so quickly
multiplying in the rows. (…)

—Louise Glück, A Íris Selvagem, Relógio de Água, 2020


Vésperas

(…) por outro lado,
fui eu quem plantou as sementes. Vi os primeiros rebentos
como asas rasgando o solo, partiu-se
o meu coração com as pragas, a pequena mancha negra a multiplicar-se
tão depressa pelos sulcos. (…)

Tradução de Ana Luísa Amaral


Vésperas

(…) por outro lado,
eu plantei as sementes, observei os primeiros rebentos
como asas rasgando o solo, e foi o meu coração
partido pelo arejo, aquelas manchas negras tão rapidamente
a multiplicar-se pelos canteiros. (…)

Tradução minha


Como tudo, tem vantagens e desvantagens, há passagens muito bem conseguidas, ou títulos. Retreating Light… Luz Em Fuga, até me parece mais bonito em português.

Midsummer

Publicado em 20/08/2021

How can I help you when you all want
different things—sunlight and shadow,
moist darkness, dry heat —

Listen to yourselves, vying with one another—

And you wonder
why I despair of you,
you think something could fuse you into a whole—

the still air of high summer
tangled with a thousand voices

each calling out
some need, some absolute

and in that name continually
strangling each other
in the open field—

For what? For space and air?
The privilege of being
single in the eyes of heaven?

You were not intended
to be unique. You were
my embodiment, all diversity

not what you think you see
searching the bright sky over the field,
your incidental souls
fixed like telescopes on some
enlargement of yourselves—

Why would I make you if I meant
to limit myself
to the ascendant sign,
the star, the fire, the fury?

—Louise Glück, A Íris Selvagem, Relógio D´Água, 2020 (obrigado C.)