Na China, Moguang Studio (via ArchDaily).
Na China, Moguang Studio (via ArchDaily).
A uma rapariga dá muito prazer pensar que talvez um homem esteja apaixonado por ela, e então mesmo que ela não esteja apaixonada é um pouco como se o estivesse e torna-se muito mais bonita com os olhos a brilhar e o passo ligeiro e a voz mais leve e mais doce.
—Natalia Ginzburg, Foi Assim, Relógio D’Água 2023 (1947)
Soube da existência de Fumiko Nakajō ao ter visto o filme “Para Sempre Mulher” de Kinuyo Tanaka. Foi uma poetisa japonesa que morreu em 1954 com apenas 31 anos e que escrevia um estilo de poesia chamado Tanka.
No Japão, é uma forma tradicional de poesia já com mais de 1.300 anos e ainda hoje respeitada. Originalmente escrita numa linha só, actualmente consiste em cinco linhas com um padrão silábico 5-7-5-7-7, num total de 31 sílabas. Ao contrário dos Haiku concisos e frequentemente focados na natureza, estes poemas têm um carácter mais pessoal, expressando sentimentos profundos, reflexões e experiências. Combinando frequentemente imagens com emoção, permitindo aos poetas explorar temas como o amor, a perda e a beleza, de forma breve mas evocativa.
— Talvez também viesses a gostar de mim aos poucos — disse-me. — Mas não vale a pena falar disso agora. Falar faz doer ainda mais. Acabou. Vês, estou aqui perto de ti, mas não encontro mais nada para te dizer. Gostava de fazer alguma coisa por ti, para te ajudar, mas ao mesmo tempo tenho uma espécie de vontade de me ir embora e de não ouvir mais falar de ti.
—Natalia Ginzburg, O Caminho da Cidade, Relógio D’Água 2024 (1942)
Nunca me aborrecia quando estávamos juntos. Gostava que ele me falasse dos livros que andava sempre a ler. Não percebia o que ele dizia, mas dava-me ares de entender e fazia que sim com a cabeça.
—Natalia Ginzburg, O Caminho da Cidade, Relógio D’Água 2024 (1942)