Hoje em dia já ninguém lá vai, aquilo está cheio de gente

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Servido Num Prato de Papel

Publicado em 21/04/2020

Shtisel
Shtisel

—Ela é como um Schnitzel que foi congelado, descongelado, aquecido, congelado, descongelado, aquecido no micro-ondas e servido num prato de papel.

Shtisel

—Konigsberg, faça-me um favor.

Shtisel

—Vou dizer-te isto, sabes o que aconteceu aos homens que comeram este schnitzel?

Segundo episódio da primeira temporada de Shtisel.

Semeia

Publicado em 12/04/2020

Disse que ela não era de facto minha amiga, que me detestava, que sim, era extraordinariamente inteligente, que também era muito fascinante, mas que a sua inteligência era mal usada — a inteligência maldosa que semeia discórdia e odeia a vida —, e o seu fascínio era do mais insuportável, o tipo de fascínio que escraviza e leva à ruína. Assim mesmo.

—Elena Ferrante, História de Quem Vai e de Quem Fica

Terminou

Publicado em 10/04/2020

Nessa altura descobri dentro de mim um emaranhado de fios, cujas pontas eram impossíveis de encontrar. Eram velhos e descorados, ou novos em folha, por vezes de cores vivas, outras vezes sem cor, fininhos, quase invisíveis. Aquele estado de bem estar terminou de repente (…)

—Elena Ferrante, História de Quem Vai e de Quem Fica

Chanfrada

Publicado em 08/04/2020

E poderia fazer muitas, mas muitas coisas mais. Mas é chanfrada da tola, julga que pode fazer sempre o que lhe dá na gana. Vai, volta, arranja, parte. Tu pensas que eu a despedi? Não, um dia, como se nada fosse, deixou de ir trabalhar. Assim, desapareceu simplesmente. E se voltas a deitar-lhe a mão, escapule-se outra vez, é uma enguia. O problema dela está nisto: apesar de ser muito inteligente, não é capaz de compreender aquilo que pode fazer e aquilo que não pode.

—Elena Ferrante, História de Quem Vai e de Quem Fica