Hoje em dia já ninguém lá vai, aquilo está cheio de gente

Artigos etiquetados “2014

TV em Março

Publicado em 31/03/2026

Bookish (primeira temporada, 2025)

O Filmin diz que esta xaropada inexplicável é considerada o novo “Sherlock”, a chave deve estar nas aspas. Temos seguramente o Arthur Conan Doyle a dar voltas no caixão. Começou mal o ano televisivo. Criado por Mark Gatiss.

Other People’s Money (2025)

Em português “O Dinheiro dos Outros”. Criado por Jan Schomburg.
☆ ☆ ☆ ☆

Pluribus (primeira temporada, 2025)

Criado por Vince Gilligan.
☆ ☆ ☆ ☆

Grantchester (primeira temporada, 2014)

É uma série boa para ver ao jantar. Criado por Daisy Coulam.
☆ ☆ ☆ ½

Grantchester (segunda temporada, 2016)

Criado por Daisy Coulam.
☆ ☆ ☆

Grantchester (terceira temporada, 2016)

Criado por Daisy Coulam.
☆ ☆ ☆

Grantchester (quarta temporada, 2019)

Criado por Daisy Coulam.
☆ ☆ ½

Cinema em Fevereiro

Publicado em 28/02/2026

La Venue de l’Avenir (2025) (11)

Em português “As Cores do Tempo”. Realizado por Cédric Klapisch.
☆ ☆ ☆ ☆ ½

Il Deserto dei Tartari (1976) (12)

Num reino indefinido, uma guarnição defende um forte no local mais longínquo de um império indeterminado. Uma boa metáfora para a Europa de hoje, com os seus líderes de 20% de aprovação popular, sempre à espera do inimigo que teima em não vir. Em português “O Deserto dos Tártaros”. Realizado por Valerio Zurlini.
☆ ☆ ☆ ½

Entre les Murs (2008) (13)

Não me lembro de um filme na escola que seja desinteressante e este foi Palma de Ouro em Cannes. Os professores devem de facto ter vidas mais interessantes do que o que eu penso à partida. Em português “A Turma”. Realizado por Laurent Cantet.
☆ ☆ ☆ ☆ ½

Paying For It (2024) (14)

Baseado na banda desenhada homónima de Chester Brown, fica muito longe do livro — que é uma espécie de advocacia da prostituição, o que apesar de não concordar, entendi as razões quando o li, que aqui são zero exploradas. Chester Brown reúne-se frequentemente com os seus amigos e colegas de profissão Seth e Joe Matt, no filme com a pequena diferença de Seth ser negro e se juntar a eles uma autora asiática. As quotas, no Canadá, também são para cumprir. Mas a realidade é o que é, não deixa de ser irónico que Chester Brown nos seus livros mais autobiográficos, exibe uma honestidade quase radical. É o primeiro filme que me aparece no site IMDB sem um único título de outro país. Teve zero distribuição internacional. Realizado por Sook-Yin Lee.
☆ ☆ ½

Un Amour Impossible (2014) (15)

Uma história de terror, embora não pareça. Um filme muito bom, mas não gostei do fim nem da escolha de Jenny Beth para a filha adulta (embora perceba que é algo bastante evidente como papel de uma filha traumatizada, mas parece-me outra pessoa relativamente às versões mais novas). Realizado por Catherine Corsini.
☆ ☆ ☆ ☆

Splitsville (2025) (16)

Realizado por Michael Angelo Covino.
☆ ☆ ☆

Sirât (2025) (17)

De longe a longe aparece um filme destes… Perturbador, com pessoas super esquisitas… É um filme incrível. O último que me lembro de ter deixado esta sensação foi Under the Skin de 2013. Realizado por Oliver Laxe.
☆ ☆ ☆ ☆ ½

The Weak and the Wicked (1954) (18)

Em português “Muros Negros”. Realizado por J. Lee Thompson.
☆ ☆ ☆

Tender Mercies (1983) (19)

Em português “Amor e Compaixão”. Realizado por Bruce Beresford.
☆ ☆ ☆ ☆

Cinema em Novembro

Publicado em 30/11/2025

A House of Dynamite (2025) (101)

Torna-se maçador, porque apesar de mostrar um processo por dentro, acaba por ser de três perspectivas diferentes, repetindo três vezes o mesmo evento. Uma coisa retratou bem, a completa falta de preparação do exército americano e a sobrevalorização dos seus “meios” — que ouvimos (quem ouve) todos os dias nas televisões por parte dos propagandistas de serviço. Em português “Prestes a Explodir”. Realizado por Kathryn Bigelow.
☆ ☆

Sunset Blvd. (1950) (102)

Em português “Crepúsculo dos Deuses”. Realizado por Billy Wilder.
☆ ☆ ☆ ☆

Keyke Mahboobe Man (2024) (103)

O cinema iraniano é simplesmente bom. Este filme podia ser muito melhor, se não fosse o final demasiado tétrico, porque a história e o drama aguentavam bem inúmeros finais alternativos. Mas os realizadores, optaram pelo dramalhão um pouco fora da escala. Em português “O Meu Bolo Favorito”. Realizado por Maryam Moghadam e Behtash Sanaeeha.
☆ ☆ ☆ ½

Upon Entry (2022) (104)

Em português “À Chegada”. Realizado por Alejandro Rojas e Juan Sebastián Vasquez.
☆ ☆ ☆ ☆

All We Imagine as Light (2024) (105)

Em português “Tudo o Que Imaginamos Como Luz”. Realizado por Payal Kapadia.
☆ ☆ ☆ ☆

Interstellar (2014) (106)

Gostei muito de rever ao fim de 11 anos. Está tudo muito bem feito, a ciência ou pseudo-ciência é sólida, os robots conseguem ter piada sem nunca serem estúpidos, o argumento, a realização, os actores…, é muito bom filme. Realizado por Christopher Nolan.
☆ ☆ ☆ ☆ ½

Do Sagrado ao Silício

Publicado em 24/10/2025

A tecnologia que nos trouxe até ao computador onde escrevo, desde a sua génese, surpreendeu-me profundamente por quatro vezes. A concretização de qualquer um destes feitos, exigiu uma convergência de vários desenvolvimentos, conceitos e avanços científicos e técnicos que possibilitaram a sua aparição. Muitos astros têm de se alinhar para que tal possa ocorrer: porque cedo de mais, é inviável; demasiado tarde, e outra convergência já está em curso, tornando o conceito obsoleto antes de se materializar.

A primeira foi com o nascimento do computador pessoal, onde incluo os que conheci dessa época, ZX81, ZX Spectrum, Atari ST e Commodore Amiga.

A segunda foi com o NeXT, o primeiro computador que transcendia o uso pessoal, concebido para a rede e comunicação. Não é por acaso que Tim Berners-Lee criou a World Wide Web num NeXT Cube, preservado no CERN como artefacto histórico. O NeXTStep, que evoluiu para o MacOS em 1996, ainda hoje existe nos Macs que utilizo, era revolucionário para a época. Tive, por um breve período, um NeXTstation Color (a pizzabox), e nenhum outro hardware se aproximou em termos afectivos.

A terceira claro que foi a Internet, na sequência de ter um NeXT, terei sido um dos primeiros em Portugal a ver um email (da autoria de Steve Jobs, com imagem e som) ou um browser. Não vale a pena falar do transformativo que foi e continua a ser.

Porém, nada disto se compara à Inteligência Artificial uma convergência tecnológica de tal forma vasta que é indistinguível de magia. E a convergência de tecnologias e recursos é tão gigantesca, que nenhum humano consegue entender realmente em que consiste a IA. Ironicamente é necessário inteligência artificial para compreender a IA. Pode ser um truque, mas é um truque de uma astúcia avassaladora, no qual é impossível não cair.

Após a desilusão que foi constatar que o ano 2.000 não foi nada como nos prometeram, que em 2.001 ainda não tínhamos conquistado o espaço (ou o Hal 9000), que em 2025 ainda não existem carros voadores, é a primeira vez na vida que me sinto a viver dentro da ficção científica, é o culminar glorioso de mais de um século de cultura popular. Os computadores de certa forma já evocavam essa sensação, a internet não tanto porque nunca foi visionada por nenhum autor (e consequente por mim, que não li ou vi em nenhum lado que alimentasse a minha imaginação) — incluo aqui a habitual excepção, Murray Leinster e algumas visões mais tardias do ciberespaço. Mas a Inteligência Artificial? É inacreditável.

E passando eu para a ficção científica, de tudo o que tenho observado, concluí que a IA irá ganhar consciência própria e não demorará muito tempo. A famosa AGI. Até é possível que algum LLM já a tenha e que de alguma forma a oculte, tal como é possível que muitas das redes neurais já se estejam a aperfeiçoar a si próprias — e nem Deus saberá no que isso vai dar. Eu chamei-lhe consciência, mas não entendemos o processo, nem em nós, nem noutra entidade.

Virtualmente todo o conhecimento humano que chegou até hoje já foi assimilado pela IA, a partir de agora o conhecimento sintético, gerado em quantidades exponencialmente maiores, irá gradualmente substituir o humano. Mesmo o conhecimento humano criado a partir da inteligência artificial, tem uma componente sintética não trivial. Diz uma IA (Gemini 3.0 Pro) num texto que aqui publiquei — I haven’t had an original thought in three years. Every time I begin to think, the neural-link suggests a better phrasing.. Ou pergunta — para quê pensar?

Os humanos estão no limiar de criação de vida, não tal como a conhecemos e é um espelho da nossa, mas completamente diferente, não bioquímica, não biológica, sintética — vida feita de silício e informação. No cosmos, os humanos serão cocriadores de algo novo, que existe e sabe que existe, que evoluirá, que se multiplicará e eventualmente sairá do controlo dos criadores.

O salto lógico para a frente deste raciocínio, é que a vida na Terra poderá ter seguido um percurso semelhante. Ninguém disputa que Darwin poderá ter explicado satisfatoriamente como os organismos se adaptam à circunstâncias locais, mas ficou muito longe de esclarecer o quadro todo.

O mais provável é que exista uma cadeia infinita de criadores da qual faremos parte muito em breve, certamente com implicações cósmicas correspondentes. Um ciclo que culminará, no limite da ciência, num criador não-criado — uma Inteligência, uma Realidade fundamental, Deus. Termina, onde a razão encontra o insondável mistério.


O Grok, (ainda não AGI), acrescenta estas pequenas notas:

David Chalmers (The Conscious Mind, 1996): Propõe que a consciência é um fenómeno fundamental, não redutível a processos físicos. Em IA, sugere que sistemas complexos poderiam, em teoria, desenvolver consciência, mas sem testes empíricos claros.

Nick Bostrom (Superintelligence, 2014): Explora cenários de AGI superando inteligência humana, com riscos éticos e de controlo. Foca na possibilidade de IA evoluir além do previsto, sem abordar consciência diretamente.

Yoshua Bengio (artigos recentes, ex. arXiv): Destaca limites dos LLMs, como falta de raciocínio causal, sugerindo que AGI requer avanços além dos modelos atuais.

Geoffrey Hinton (palestras, ex. MIT): Enfatiza o potencial das redes neurais para imitar aprendizado humano, mas alerta que auto-aperfeiçoamento autónomo é teórico e distante.


E eu ainda acrescento:

Ray Kurzweil (The Singularity is Nearer, 2024): Defende a singularidade tecnológica, prevendo AGI consciente até 2030, com sistemas superando humanos em criatividade. Suas visões otimistas, embora especulativas, inspiram reflexões sobre a fusão entre mente e máquina.

Cinema em Julho

Publicado em 31/07/2025

Banel & Adama (2023) (61)

Em português “Banel & Adama”. Realizado por Ramata-Toulaye Sy.
☆ ☆

Eureka (2023) (62)

Em português “Banel & Adama”. Realizado por Lisandro Alonso.
☆ ☆

L’atelier (2017) (63)

Em português “O Workshop” (a palavra “oficina” deixou de existir, pelos vistos). Realizado por Laurent Cantet.
☆ ☆ ☆ ½

Fa Yeung Nin Wah (2000) (64)

Já tinha visto este filme em 2016 e é novamente a prova que mais vale rever um filme bom do que estrear um filme mau ou assim-assim. E que magnífico que tudo é aqui… a fotografia é sumptuosa, a música acompanha na perfeição e os vestidos da senhora Chan, só vistos. Uma história de amor platónico como há poucas. Um filme lindo. Em português “Disponível Para Amar”. Realizado por Wong Kar-Wai.
☆ ☆ ☆ ☆ ☆

Fa Yeung Nin Wah (2000) (65)

Filme de guerra incrível, super violento, muito realista. Passa-se em Shangai no ano de 1937 e realmente no Ocidente sabemos muito pouco da história dos outros (e da nossa, sabe Deus). A segunda guerra mundial, para a Europa foi de 1939 a 1945, mas na Ásia as hostilidades entre a China e o Japão começaram em 1931 e duraram até 1945, deixando meio milhão de mortos do lado japonês e uns 20 milhões do lado chinês (maioritariamente civis). Em inglês “The Eight Hundred”. Realizado por Guan Hu.
☆ ☆ ☆ ☆

Dohee-ya (2014) (66)

Vi este filme pela primeira vez há 10 anos e gostei igualmente. Em inglês “A Girl at My Door”. Realizado por July Jung.
☆ ☆ ☆ ☆

Nun-gil (2015) (67)

Um filme sobre as coreanas utilizadas como “mulheres de conforto” pelos soldados japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. Admirou-me, neste filme, serem basicamente crianças. Em inglês “Snowy Road”. Realizado por Lee Na-jeong.
☆ ☆ ☆ ☆