Hoje em dia já ninguém lá vai, aquilo está cheio de gente

Artigos etiquetados “cinema 2021

Cinema em Setembro

Publicado em 30/09/2021

Robin and Marian (1976) (52)

Este filme é mesmo fraco, mas cheguei lá através do livro “O Ano do Pensamento Mágico” de Joan Didion, que menciona apenas uma frase que de alguma forma me interessou. E que cena final entre Audrey Hepburn e Sean Connery… triste, de uma profundidade, de uma pungência, da qual não vou falar para não estragar a experiência a ninguém… Espantoso, até onde vão os amantes (por amor). Incompreensível a completa falta de relação com o restante. A música é de John Barry, nisso não é nada mau. Realizado por Richard Lester.
☆ ☆

The Operative (2019) (53)

Gosto de um bom filme de espionagem e quem melhor que o realizar que os israelitas? O fim fica em aberto, embora eu consiga imaginar o que acontece, mas mesmo assim gostei bastante. Em português “Agente Infiltrada”. Realizado por Yuval Adler.
☆ ☆ ☆ ☆

Netemo Sametemo (2018) (54)

Pensava que ia gostar mais um bocadinho. Em português, ou internacionalmente “Asako I & II”. Realizado por Ryûsuke Hamaguchi.
☆ ☆ ☆ ½

Samba (2014) (55)

Realizado por Olivier Nakache e Éric Toledano.
☆ ☆ ☆ ½

Cry Macho (2021) (56)

O início com uma conversa completamente ridícula que serve apenas para nos situar perante a realidade daquele velho (Clint Eastwood), é tão mau, mas tão mau, que devia ser o sinal para ficar imediatamente por ali, mas tenho a mania de acabar o que começo. A cena final, igualmente super-má, é completamente dispensável — é um filme realizado para o mínimo denominador comum americano em termos de inteligência. Para o mínimo dos mínimos. É triste ver um filme onde o melhor actor é, de longe, um galo chamado Macho. Já não me lembrava de ver um tão mau conjunto de actuações desde o esquecível “Star Wars: Episode I – The Phantom Menace”. E a história, é uma historinha que nem com bons actores lá ia. Realizado por Clint Eastwood.

Hors Normes (2019) (57)

A música dos Grandbrothers não chega para tornar esta história num bom filme. É um grande problema, ou dois, cuidar de crianças e adultos com autismo profundo e paralelamente embora no filme de forma secundária, retirar jovens da rua onde acabariam inevitavelmente na delinquência. Não é fraco ao nível do “Cry Macho” (que é fraquíssimo), mas é fraco e não gostei. Em português “Especiais”. Realizado por Olivier Nakache e Éric Toledano.
☆ ☆

French Exit (2020) (58)

Porque vi isto? Este mês o cinema vai de mal a pior. Em português “Plano de Fuga”. Realizado por Azazel Jacobs.

East of the Mountains (2021) (59)

Mais um filme em que pouco se aproveita, talvez o Tom Skerritt, um actor subestimado pelo menos desde “Alien – O 8.º Passageiro”. E o cão. Realizado por S.J. Chiro.
☆ ☆

Falling (2020) (60)

Meu Deus, que tédio, este mês foi infernal e uma verdadeira perda de tempo, não sei o que me deu. O Viggo Mortensen está bom é para fazer de Aragorn no “regresso do senhor dos anéis”… Lance Henriksen é uma espécie de inverso do robô Bishop de “Aliens – O Recontro Final”. Estes filmes de produção americana estão mais insuportáveis a cada ano que passa, do “somos todos iguais” estamos agora nesta patetice de querer agradar a todas as minorias. Neste filme só faltou um bi-curioso, ou talvez não (o neto é capaz de preencher essa lacuna, a neta é aparentemente lésbica). A família é exemplar, um par de homossexuais, um deles asiático, outro com ar nórdico (não vá o Thor ficar triste), com uma filha aparentemente mexicana — que ficamos sem perceber de quem gosta mais, se do papá, ou do papá —, um avô que além de obnóxio, está completamente senil. O de aspecto nórdico é piloto, uma das imagens finais é dele no cockpit com a sua co-piloto, mulher, negra e orgulhosa. Tudo parece ser para cumprir quotas, não é cinema que me interesse. Realizado por Viggo Mortensen.
☆ ☆

Cinema em Agosto

Publicado em 31/08/2021

Asa Ga Kuru (2020) (48)

Em português “As Verdadeiras Mães”. Realizado por Naomi Kawase.
☆ ☆ ☆ ☆

La Virgen de Agosto (2019) (49)

Mais um filme sobre uma mulher desnorteada que tem o mérito de não enveredar por contar histórias de falta de auto-estima que passam quase sempre pela promiscuidade e auto-desvalorização. Madrid em Agosto, uma madrilena fica na cidade sob um calor insuportável — enquanto os restantes nativos rumam a zonas mais frescas —, acabando por fazer uma série de amigos estrangeiros ou de outras partes de Espanha. A certa altura pareceu que ia ser melhor… Mas há outra coisa pessoal, que é cada vez menos me interessar Espanha. Acho tudo feio e principalmente sem absolutamente gosto nenhum e a todos os níveis. A actriz e argumentista Itsaso Arana não prima pela beleza o que até poderia resultar num certo realismo, mas até eu que raramente reparo nessas coisas tenho de observar — era necessário andar realmente tão mal vestida? E aqueles sapatos horrorosos durante a totalidade do filme… nem sequer parecem apropriados para tanto calor, que mau gosto extraordinário. Em português “A Virgem de Agosto”. Realizado por Jonás Trueba.
☆ ☆ ☆ ½

False Confessions (2017) (50)

Está na Internet Movie Database classificado como “tv movie”, nunca tive grandes expectativas para telefilmes e é bem fraco. Em português “As Falsas Confidências”. Realizado por Luc Bondy e Marie-Louise Bischofberger.
☆ ☆ ½

Happî Awâ (2015) (51)

Quatro amigas a viver em Kobe, todas com 37 anos e dramas íntimos que Hamaguchi explora com mestria. Não acontece no filme todo, mas alguns planos são extremamente bonitos e traduzem na perfeição que se está a passar entre o omnipresente formalismo japonês — que ironicamente muitas vezes me fez suspeitar da tradução por causa da forma de estar e de falar que cá seria inimaginável (e continuo a suspeitar da tradução, já vi mesmo muitos filmes japoneses). Ter lido algures que as quatro amigas não são actrizes (e ganharam o prémios de melhor actriz no festival de Locarno), que aliás, não há um único actor profissional, torna a obra um feito e um triunfo. O nome em japonês é a expressão “Happy Hour” com que foi lançado internacionalmente. Também não é todos os dias que vejo um filme de cinco horas e 17 minutos. Realizado por Ryûsuke Hamaguchi.
☆ ☆ ☆ ☆

Cinema em Julho

Publicado em 31/07/2021

Mal de Pierres (2016) (43)

Gostei da história e do ritmo pausado que percorre todo o filme. E da Marion Cotillard.
Em português “Um Instante de Amor”, porque a tradução do título notoriamente menos vendável é “Pedra Nos Rins”. Também interessante o título em inglês, quem sabe pelo mesmo motivo e mais verdadeiro, “From the Land of the Moon”. Os alemães quase que contavam o filme todo: “Die Frau im Mond – Erinnerung an die Liebe” (A Mulher na Lua – Memória de Amor). Realizado por Nicole Garcia.
☆ ☆ ☆ ☆

No Sudden Move (2021) (44)

Realizado por Steven Soderbergh.
☆ ☆ ☆ ☆

Citizenfour (2014) (45)

Curiosamente um dos produtores executivos é Steven Soderbergh. Podia ser um pouco mais interessante, ou talvez o assunto esteja agora no dia a dia e tenha perdido interesse. Também não percebi que num documentário não exista um tripé e a opção estética e estilistica seja a câmara na mão sem qualquer estabilidade, a focar e a desfocar constantemente. Talvez fosse mais importante eliminar essas distrações e ouvir-se o Snowden. Realizado por Laura Poitras.
☆ ☆ ☆ ½

El Olivo (2016) (46)

Em português “A Oliveira do Meu Avô”. Realizado por Icíar Bollaín.
☆ ☆ ☆ ½

Razzia (2016) (47)

Este filme é algo complexo de seguir e necessita atenção. Em português “Céu de Casablanca”. Realizado por Nabil Ayouch.
☆ ☆ ☆ ½

Cinema em Junho

Publicado em 30/06/2021

Doubles Vies (2017) (39)

Em português “Vidas Duplas”. Realizado por Olivier Assayas.
☆ ☆ ☆ ½

Beautiful Boy (2018) (40)

Realizado por Felix van Groeningen.
☆ ☆

Como Nossos Pais (2017) (41)

Realizado por Laís Bodanzky.
☆ ☆ ☆ ☆

Giulietta Degli Spiriti (1965) (42)

Que seca de filme, dou três e é por caridade. Em português “Julieta dos Espíritos”. Realizado por Federico Fellini.
☆ ☆ ☆

Cinema em Maio

Publicado em 31/05/2021

Druk (2020) (31)

Mads Mikkelsen é um actor espectacular, com uma presença e carisma que não encontro noutro. É um filme espantoso. Realizado por Thomas Vinterberg.
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The Last Picture Show (1971) (32)

Custa a crer como este filme já tem 50 anos, ver o Jeff Bridges super-novo e a Cybill Shepherd super-linda. É um contínuo nó no estômago, entre as mudanças inevitáveis do terminar o secundário numa cidadezinha moribunda do Texas, o que vem de novo e a certeza de que o tempo não volta para trás e nada será como dantes — ao mesmo tempo que há a sensação de que o que é mau se perpetua. A sensação de que não se pode ter tudo e uma conquista equivale sempre a uma perda de pelo menos igual grandeza. Realizado por Peter Bogdanovich.
☆ ☆ ☆ ☆ ☆

Midnight Run (1988) (33)

Um dia depois de ter visto, faleceu Charles Grodin com 86 anos. Realizado por Martin Brest.
☆ ☆ ☆ ☆

Klute (1971) (34)

É o primeiro filme da chamada trilogia da paranoia de Alan J. Pakula. Realizado por Alan J. Pakula.
☆ ☆ ☆ ☆ ½

The Parallax View (1974) (35)

Segundo filme da trilogia da paranoia de Alan J. Pakula. O terceiro é “All the President Men”, que verei noutra época. Realizado por Alan J. Pakula.
☆ ☆ ☆ ½

Zoe (2018) (36)

Este filme tem um tom algo melancólico devido principalmente à interpretação de Léa Seydoux e à música (Cigarettes After Sex et al.), sendo mais uma tentativa de Drake Doremus ilustrar o relacionamento humano (ou, mais concretamente, a falta dele), nem que seja através de pessoas sintéticas. De uma forma ou de outra, anda tudo atrás do mesmo e todos falham miseravelmente. Nem com a nova droga do mercado que permite as sensações do “primeiro amor” — uma espécie de metáfora para a promiscuidade das apps actuais —, preenchem o vazio que se avoluma. Realizado por Drake Doremus.
☆ ☆ ☆ ½

First Cow (2019) (37)

Ainda há pouco tempo falei de Wendy and Lucy, a propósito de Nomadland e agora, vejo First Cow que também é de Kelly Reichardt — está tudo ligado.
Gostei imenso deste filme que começou passados quase dois séculos, com aquilo que terá sido o desfecho inevitável para Cookie e King-Lu. Seria um filme para cinco estrelas, mas embora entenda a subtileza de mostrar no que se tornou a América através de como tudo começou, a época em causa acaba por não me tocar. Mas sim John Magaro como Otis “Cookie” Figowitz, que escolha formidável para o papel. Realizado por Kelly Reichardt.
☆ ☆ ☆ ☆ ½

Mektoub, My Love: Canto Uno (2017) (38)

Conversa incessante, extremamente bem escrita e inacreditavelmente realista, apenas interrompida pela sequência do nascimento de duas ovelhas. Se calhar atribuí meia estrela a mais por uma espécie de nostalgia, mas gostei imenso na verdade, as três horas passaram com uma facilidade impressionante. Há quem veja e apresente La Vie d’Adèle como uma obra a favor de certas causas e será de uma perspectiva válida, outra também válida, é que já me parece há muito tempo que se trata de um espectáculo essencialmente para homens. Aqui, confirmei que Kechiche filma as mulheres de um ângulo, literalmente de vários ângulos, muito masculinos. Não tenho nada a dizer, para mim é bom. Em português Mektoub, Meu Amor: Canto Um. Fiquei com vontade de ver a segunda parte logo a seguir (aparentemente vai ser uma trilogia), Mektoub, My Love: Intermezzo. Realizado por Abdellatif Kechiche.
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