Hoje em dia já ninguém lá vai, aquilo está cheio de gente

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Ler é um Dever

Publicado em 31/07/2026

A Anthropic destruiu milhões de livros para treinar o Claude, num projecto interno chamado “Project Panama”, revelado num processo judicial de autores que a empresa acabou por resolver com um acordo de 1,5 mil milhões de dólares em Setembro de 2025. Os documentos mostraram que a liderança considerava os livros “essenciais” para o treino — um cofundador disse que ensinariam os modelos a “escrever bem” em vez de imitar o “discurso de baixa qualidade da internet”. Mas não fica por aqui, um livreiro denunciou que existe a possibilidade de muitos dos livros destruídos serem muito raros (Futurismm, NL Times) — e toda a destruição, segundo o juiz William Alsup, enquadra-se naquilo que se pode denominar uso legítimo.
Mas há aqui uma contradição insanável que culmina numa pergunta inevitável: O que querem para o futuro da humanidade estas empresas de inteligência artificial de recursos ilimitados? Destruir livros, de propósito ou acidentalmente, nunca foi sinónimo de civilização e os EUA há muito que demonstram que a civilização não irá passar por ali, aliás ainda recentemente deixaram destruir a Biblioteca de Bagdad (na invasão de 2003) e está a decorrer a destruição de inúmeras bibliotecas no Irão, no bombardeamento de alvos civis — que só parece indiscriminado. São crimes de guerra debatidos nos programas nocturnos da Fox como entretenimento de horário nobre.
Em 1984 — de George Orwell —, havia o Ministério da Verdade, onde Winston Smith trabalhava, reescrevendo documentos, jornais, revistas, livros e registos históricos para os alinhar com a versão do partido, porque quem controla o passado controla o futuro; quem controla o presente controla o passado. Está a acontecer neste momento, textos atirados para os memory holes, pessoas e lugares apagados da história, como se nunca tivessem existido, unpersons.
É um processo rápido: a guerra do Irão não existe. Não passou pelo Congresso norte-americano e isso, em vez de ser a demonstração cabal de uma guerra ilegal, tornou-se a prova irrefutável de que a guerra não existe.
O livro provou o seu valor como unidade de conhecimento ao longo de séculos e milénios, a internet, os novos bárbaros julgam que é para sempre, mas não é. O conhecimento já perdido é gigantesco e nada garante que um cataclismo mantenha os servidores a funcionar. Perante o presente, as bibliotecas são cada vez mais necessárias e preciosas — e sim, a tecnologia pode ajudar não a destruí-las, mas a preservá-las.

Cinema em Abril

Publicado em 30/04/2026

O Agente Secreto (2025) (30)

Realizado por Kleber Mendonça Filho.
☆ ☆ ☆ ☆

In Liebe, Eure Hilde (2024) (31)

Em português “De Hilde, Com Amor”. Realizado por Andreas Dresen.
☆ ☆ ☆ ½

Les Gens d’à Côté (2024) (32)

É um filme simples mas gostei e o principal é capaz de passar ao lado de muita gente. Em português “Os Novos Vizinhos”. Realizado por André Téchiné.
☆ ☆ ☆ ☆

Let’s Make It Legal (1951) (33)

Em português “Reconciliação”. Realizado por Richard Sale.
☆ ☆ ☆ ½

La Chambre Bleue (2014) (34)

Fiquei algo surpreendido por ser baseado num livro de Georges Simenon. Em português “O Quarto Azul”. Realizado por Mathieu Amalric.
☆ ☆ ☆ ½

Ci xin qie gu (2024) (35)

Em português “O Golpe”. Realizado por Nelicia Low.
☆ ☆ ☆

Yek tasadof-e sadeh (2025) (36)

Em português “Foi Só Um Acidente”. Realizado por Jafar Panahi.
☆ ☆ ☆ ☆

The Flame (1947) (37)

Realizado por John H. Auer.
☆ ☆ ☆ ☆

Tomorrow is a Long Time (2023) (38)

Realizado por Zhi Wei Jow.
☆ ☆

Antichrist

Publicado em 04/03/2026

Donald Trump

Mr. Weinstein thank you for taking my calls and the calls of some of my colleagues as to what happened earlier this morning with our combat unit.

Please protect my identity and the identities of those I’m speaking for as we discussed.

Our unit is not currently in the combat zone AOR regarding the Iranian attacks but we are in a “Ready-Support” function where we could be deployed there at any moment to join and augment the combat operations as participants.

I am a (*NCO rank withheld*) in our unit. This morning our commander opened up the combat readiness status briefing by urging us to not be “afraid” as to what is happening with our combat operations in Iran right now. He urged us to tell our troops that this was “all part of God’s divine plan” and he specifically referenced numerous citations out of the Book of Revelation referring to Armageddon and the imminent return of Jesus Christ. He said that “President Trump has been anointed by Jesus to light the signal fire in Iran to cause Armageddon and mark his return to Earth”. He had a big grin on his face when he said all of this which made his message seem even more crazy. Our commander would probably be described as a “Christian Zionist” (…)

—Email enviado para mikey@militaryreligiousfreedom.org por militares norte-americanos. O briefing de um Trump ungido por Jesus para causar o Armagedão, foi ouvido em pelo menos 30 bases militares. A guerra começou com um massacre de crianças, tal como é a prática corrente de Israel. Para eles, somos todos amalequitas.