Hoje em dia já ninguém lá vai, aquilo está cheio de gente

Artigos etiquetados “2014

Cinema em Março

Publicado em 31/03/2023

The Swimmer (1968) (37)

Pode-se dizer que nunca vi nada igual, nem parecido, a meia estrela é por isso e pela incrível história. É um drama surrealista, uma alucinação do início ao fim, não se sabendo exactamente o que leva ao início, mas suspeitando que só pudesse acabar da forma que acabou. Um homem (Burt Lancaster) surge de calções de banho pela floresta e vai ter a casa de uns amigos que aparentemente não o viam há imenso tempo e mergulha na piscina. Ao saber que um dos vizinhos também construiu uma piscina, concluiu que poderia nadar até casa, de piscina em piscina, como se fosse num rio. É baseado na história The Swimmer de John Cheever, publicada na revista New Yorker em 18 de Julho de 1964. A filmagem foi atribulada, o realizador Frank Perry acabou despedido e o filme foi terminado por Sydney Pollack (sem créditos) que subtituiu alguns actores e filmou algumas cenas. Diz-se que para o final, Burt Lancaster pagou $10.000USD do seu bolso para que as filmagens pudessem acabar. Em português “Mergulho no Passado”. Realizado por Frank Perry.
☆ ☆ ☆ ☆ ½

High Noon (1952) (38)

Em português “O Comboio Apitou Três Vezes”. Realizado por Fred Zinnemann.
☆ ☆ ☆ ☆

To Leslie (2022) (39)

Gostei imenso. É uma história muitas vezes contada, mas aqui está mesmo bem contada. Em português “Para Leslie”. Realizado por Michael Morris.
☆ ☆ ☆ ☆ ½

Hope Gap (2019) (40)

Fico sempre desapontado quando numa tradução de “retreat from Moscow”, num contexto de invasões napoleónicas, se lê “o abrigo de Moscovo”. São tradutores que não sabem sequer o que estão a ouvir. Brevemente serão todos substituídos por um qualquer ChatGPT, é uma profissão sem qualquer futuro. Em português “Uma Réstea de Esperança”. Realizado por William Nicholson.
☆ ☆ ☆ ☆

Moskva Slezam Ne Verit (1980) (41)

Ganhou o Óscar para o melhor filme estrangeiro e diz-se que foi o filme que mudou a opinião de Ronald Reagan sobre a Rússia, de “império do mal” para “eles afinal são como nós e podemos ser amigos”. Claro que a casa branca já não tem um homem como Ronald Reagan desde Ronald Reagan e pior que o que lá está agora, será virtualmente impossível (mas nunca fiando). Em português “Moscovo Não Acredita em Lágrimas”. Realizado por Vladimir Menshov.
☆ ☆ ☆ ☆

1984 (1984) (42)

Parece-me algo fraco, mas mesmo quem não leu o livro não pode deixar de pasmar com o que é semelhante ao que vivemos hoje. A grande diferença é o “estado totalitário” vs. “estado democrático”, mas o resto? É linda a destruição das palavras que está em curso, com os “portugueses” e “portuguesas”, com o dito acordo ortográfico rapidamente abraçado pelos habituais sectores e com as mentiras que são hoje permanentes; nesse sentido “a ignorância é força”, no filme a ignorância é imposta, no nosso sistema é uma ignorância ainda pior por ser voluntária; o que leva a algo que qualquer um pode observar, se quiser — “quem controla o passado, controla o futuro; quem controla o presente controla o passado”; e a guerra não é para ganhar, mas para ser contínua (ou pelo menos, no caso presente, para prolongar o mais possível desde que os seus promotores arrisquem pouco e ganhem muito); etc, etc. Realizado por Michael Radford.
☆ ☆ ☆

Inherent Vice (2014) (43)

Chego à conclusão que não gosto demasiado de realizadores estilizados como Paul Thomas Anderson — de Tim Burton cansei-me, Tarantino já não suporto, Wes Anderson já me satura… Em português “Vício Intrínseco”. Realizado por Paul Thomas Anderson.
☆ ☆ ☆

Un Beau Matin (2022) (44)

Nunca me desilude a Mia Hansen-Løve, mais um filme incrível. A moral da história é que colhemos o que semeamos, nem sempre, mas a maior parte das vezes. A Léa Seydoux está por todo o lado e cada vez melhor. Em português “Uma Bela Manhã”. Realizado por Mia Hansen-Løve.
☆ ☆ ☆ ☆ ½

Tár (2022) (45)

Não é habitual eu rever um filme passado tão pouco tempo, revi este porque não só é muito bom, como fiquei com a sensação que vários detalhes me tinham escapado. E é verdade, escaparam, não vou me alongar para não dizer demais. Apesar de dar a mesma avaliação, ainda gostei mais de ver esta segunda vez e acrescento que a primeira foi no cinema, a segunda em casa. Realizado por Todd Field.
☆ ☆ ☆ ☆ ½

Je Tu Il Elle (1974) (46)

Realizado por Chantal Akerman.
☆ ☆

La Loi du Marché (2015) (47)

É o primeiro da “trilogia do trabalho” e planeava ver os três, mas perdi o interesse. Em português “A Lei do Mercado”. Realizado por Stéphane Brizé.
☆ ☆

Hilma (2022) (48)

É um projecto familiar, com a mulher e a filha do realizador, mas pouco mais. Realizado por Lasse Hallström.
☆ ☆ ☆

Grey Gardens (1975) (49)

Documentário sobre Edith Ewing Bouvier Beale e a filha Edith Bouvier Beale, cujos únicos feitos aparentemente foram viver numa mansão que negligenciaram até uma decadência selvagem traduzida no jardim transformado numa autêntica selva ao ponto de as autoridades lhes dizerem, ou limpam, ou são postas fora; a filha ser prima direita de Jacqueline Onassis que acabou por pagar a limpeza e as obras na casa; e serem completamente excêntricas. Há um outro documentário de 2006, The Beales of Grey Gardens, que parece ser com filmagens não utilizadas neste. Ia ver, mas perdi o interesse. Realizado por Ellen Hovde, Albert Maysles e David Maysles.
☆ ☆ ☆

Cinema em Fevereiro

Publicado em 28/02/2023

Les Choses qu’On Dit, les Choses qu’On Fait (2020) (21)

É bom quando duas pessoas que não se conhecem rapidamente atingem um nível de intimidade que os leva a “contar tudo” e tornarem-se amigas numa fracção de tempo. Em português “As Coisas Que Dizemos, As Coisas Que Fazemos”. Realizado por Emmanuel Mouret.
☆ ☆ ☆ ☆

Curiosa (2019) (22)

Realizado por Lou Jeunet.
☆ ☆ ☆

Triangle of Sadness (2022) (23)

Será certamente uma visão meritória da moda, da superficialidade, da igualdade, do feminismo, dos trabalhadores, dos super-ricos e tudo o mais, e deve ter uma série de simbolismos, a maior parte dos quais certamente me escaparam. Começou extremamente bem, com humor que prometeu muito mas foi descendo de forma explícita e decidida até se tornar numa farsa grotesca sem qualquer piada. Cheguei a considerar que não chegava a três, mas chegou, porque apesar de ser longo, o tempo passou sem nunca se tornar maçador. Em português “Triângulo da Tristeza”. Realizado por Ruben Östlund.
☆ ☆ ☆

The Passenger (1975) (24)

Em português “Profissão: Repórter”. Realizado por Michelangelo Antonioni.
☆ ☆ ☆ ½

La Maman et la Putain (1973) (25)

Em português “A Mãe e a Puta”. Realizado por Jean Eustache.
☆ ☆ ☆ ☆

Tromperie (2021) (26)

Baseado no livro Deception de Philip Roth (em português “Engano”), nunca me convenceu, não consegui ultrapassar o autor, tão judeu e tão americano, a falar francês. E francamente mal dei pelo livro. Roth não é muito feliz adaptado ao cinema, talvez seja inadaptável. Em português “Traições”. Realizado por Arnaud Desplechin.
☆ ☆ ☆

En Man Som Heter Ove (2021) (27)

Anda por aí um filme com o Tom Hanks que é a versão americana deste, que como em todas as versões americanas, as pessoas fazem na generalidade bem em evitar. Este vê-se bem. Em português “Um Homem Chamado Ove”. Realizado por Hannes Holm.
☆ ☆ ☆ ½

Bad Day at Black Rock (1955) (28)

Em português “A Conspiração do Silêncio”. Realizado por John Sturges.
☆ ☆ ☆ ☆

Tár (2022) (29)

Além do vislumbre do que é o mundo elitista da música clássica, tanto socialmente como musicalmente (o trabalho efectivamente realizado e o inegável génio) — que como praticamente todas as áreas do entretenimentos nos EUA é dominado pelos judeus e pelo dinheiro —, Todd Field consegue tocar em questões actuais sem fazer disso tema central ou cavalo de batalha, desde os “géneros” aos “cancelamentos”, mais as inevitáveis “redes sociais”, passando pelo casal das duas mamãs até ao #metoo. O seu cancelamento é ambíguo no sentido em que mistura motivos actuais, com comportamentos inaceitáveis, que o seriam certamente noutras épocas ou contextos, mas há um consenso generalizado da maestrina “monstruosa”, o que suponho faça a maior parte das pessoas sentirem uma certa satisfação pelo seu “cancelamento” (ou despedimento) e a passagem da Filarmónica de Berlim para uma orquestra numa convenção de jogos de vídeo na Tailândia, com um breve tirocínio na casa da mãe e do irmão — nos subúrbios.
Por vezes há um ambiente de mistério, desde os gritos no parque, aos ruídos nocturnos e um símbolo que parece uma espécie de labirinto que surge nos locais mais inverosímeis. Isto lança um ambiente de suspeição sobre a companheira, sobre a assistente (e eventualmente amante ou antiga amante) e até sobre a filha. A violoncelista Russa que para quem acabou de chegar, movimenta-se demasiado bem naquele mundo — não invalidando o facto de ser uma exímia executante —, parece uma versão da maestrina quando era nova, trabalhando para os seus próprios objectivos, sem grandes lealdades. O distúrbio nascisista na maestrina é tão agudo, que já com acusações de abuso sexual, videos na internet editados para parecerem o que não são e mil e um problemas que só poderiam acabar de uma forma, viaja para Nova Iorque na companhia da russa, não pensando por um segundo sequer nas consequências das suas acções. Por fim… A interpretação de Cate Blanchett é extraordinária, mesmo. Realizado por Todd Field.
☆ ☆ ☆ ☆ ½

Kollektivet (2016) (30)

Em português “A Comuna”. Realizado por Thomas Vinterberg.
☆ ☆ ☆ ☆

3 Coeurs (2014) (31)

Em português “3 Corações”. Realizado por Benoît Jacquot.
☆ ☆ ☆ ☆

Close (2022) (32)

Numa idade de profundas e por vezes intensas mudanças, muda-se por vezes profundamente e intensamente, por mil e um motivos, não só por sugestões e insinuações de homossexualidade, que agora está por todo o lado e parece não se saber mais ou não se ir a lado nenhum (de sucesso) sem essa “inclusão”. A única vez que chorei no cinema, foi no Bambi de Walt Disney e neste não chorei, passei só metade do tempo com os olhos cheios de lágrimas — porque não tem solução. Realizado por Lukas Dhont.
☆ ☆ ☆ ☆ ½

Two Lovers (2008) (33)

A diferença entre o que se tem e o que se quer, numa sucessão de cenas simples e música melancólica (até Amália Rodrigues se ouve). Em português “Duplo Amor”. Realizado por James Gray.
☆ ☆ ☆ ☆

Dronningen (2019) (34)

Um dia alguém me disse que no fim todos querem é salvar a pele. Em português “Rainha de Copas”. Realizado por May el-Toukhy.
☆ ☆ ☆ ☆

Good Luck to You, Leo Grande (2022) (35)

Não passou muito da banalidade, enquanto tentava ter ar de ser algo muito profundo. Uma mulher frustada sexualmente contrata um prostituto muito mais novo para de certa forma preencher esse vazio, mas o pior é que além da frustração sexual pouco mais se passou na sua vida e isso, não iria ser certamente o prostituto a resolver. O melhor é encarar por aquilo que é e nada mais, uma comédia, com muito pouca graça. Realizado por Sophie Hyde.
☆ ☆ ½

The Cooler (2003) (36)

Em português “Má Sorte”. Realizado por Wayne Kramer.
☆ ☆ ☆ ☆

Cinema em Novembro

Publicado em 29/11/2022

Phoenix (2014) (101)

Realizado por Christian Petzold.
☆ ☆ ☆ ☆

The Sea of Trees (2015) (102)

Em português “O Mar de Árvores”. Realizado por Gus Van Sant.
☆ ☆ ☆

Hvítur, Hvítur Dagur (2019) (103)

Em inglês “A White, White Day”. Realizado por Hlynur Pálmason.
☆ ☆ ☆ ½

Heojil Kyolshim (2022) (104)

Os filmes coreanos têm um formalismo estético que me espanta, tudo super rigoroso. As cores saturadas são extraordinárias e os actores, magníficos, com sequências incríveis e pontos de vista inesperados. Em português “Decisão de Partir”. Realizado por Park Chan-wook.
☆ ☆ ☆ ☆ ½

Black Bear (2020) (105)

Em português “Urso Negro”. Realizado por Lawrence Michael Levine.
☆ ☆ ☆

Martha Marcy May Marlene (2011) (106)

Nós sabemos parte do que aconteceu, mas a irmã de Martha e o seu marido não, nem ela lhes diz. E a dificuldade aqui é confrontar o comportamento deplorável dela, com as razões eventualmente justificadas para tal e que acabam por colher a nossa simpatia — entre as escolhas que se fazem e o eventual azar. Mas, atravessar a situação do casal, o crescendo de emoções cada vez mais descontroladas, seria difícil para qualquer um, o que está muito bem ilustrado pela existência permanente de uma atmosfera inquieta e tensa que já tinha visto no “The Nest“. O final está muito bom e para primeiro filme de Sean Durkin, dificilmente seria melhor. Elizabeth Olsen, também aqui no seu primeiro filme, é sensacional. Tem uma beleza que consegue ir da realeza à vagabundagem, na minha modesta opinião completamente desperdiçada nos filmes Disney/Marvel posteriores. Realizado por Sean Durkin.
☆ ☆ ☆ ☆ ½

Supai no tsuma (2020) (107)

Em português “Mulher de Um Espião”. Realizado por Kiyoshi Kurosawa.
☆ ☆ ☆ ½

She Dies Tomorrow (2020) (108)

Realizado por Amy Seimetz.
☆ ☆

Play (2011) (109)

Mais do que astuto como diz na sinopse, é um filme corajoso, no ambiente de intolerância woke que cada vez se vive mais. Mas é estranho, quase integralmente em planos longos com a câmara fixa, muitas vezes sem ter a acção enquadrada, mas que vamos acompanhando pelas palavras e os sons. É um filme perturbador com uma ou duas coisas que gostaria de “desver”. Realizado por Ruben Östlund.
☆ ☆ ☆ ☆

Mita Tova (2014) (110)

Em português “A Festa de Despedida”. Realizado por Tal Granit e Sharon Maymon.
☆ ☆

Das Vorspiel (2019) (111)

Gostei, mas a tensão familiar de Anna (Nina Hoss) que é transversal desde o pai, ao marido e ao filho, não se consegue entender a sua profundidade. É assim, porque é assim. A relação com o filho e as suas atitudes, com consequências desastrosas, é de uma frieza assinalável. Nina Hoss, magnífica, como sempre. Em português “A Audição”. Realizado por Ina Weisse.
☆ ☆ ☆ ☆

Cinema em Outubro

Publicado em 31/10/2022

Le Skylab (2011) (85)

Em português “O Verão do Skylab”. Realizado por Julie Delpy.
☆ ☆ ☆ ½

Kakushi-toride no san-akunin (1958) (86)

Em português “A Fortaleza Escondida”. Realizado por Akira Kurosawa.
☆ ☆ ☆ ☆ ½

De uskyldige (2021) (87)

A referência que tinha é que é de um dos argumentistas de “A Pior Pessoa do Mundo”, junto com Joachim Trier com quem costuma trabalhar. É bastante melhor do que eu deixo antever, para quem gostar do género. Em português “Os Inocentes”. Realizado por Eskil Vogt.
☆ ☆ ☆

Tytöt tytöt tytöt (2022) (88)

Em inglês “Girl Picture”. Realizado por Alli Haapasalo.
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Clímax (2022) (89)

Realizado por Gaspar Noé.
☆ ☆

Dans La Maison (2012) (90)

Este é um filme que revi sem me aperceber imediatamente de tal coisa, mas já o tinha visto em 2016, com as mesmas quatro estrelas, mas embora não chegando a mais meia estrela, gostei mais do que da primeira vez. O que não gostei demasiado, foi do fim. Mas é um filme muito bom, com uma ambiguidade onde acaba a realidade e começa a fantasia, tal como onde acaba a ética e começa o voyeurismo. Tem imensos bons momentos, aliás, traduzi alguns em diversos posts durante o mês. Em português “Dentro de Casa”. Realizado por François Ozon.
☆ ☆ ☆ ☆

Frantz (2016) (91)

Realizado por François Ozon.
☆ ☆ ☆ ☆ ½

Transit (2018) (92)

Em português “Em Trãnsito”. Realizado por Christian Petzold.
☆ ☆ ☆ ½

Une Nouvelle Amie (2014) (93)

Em português “Uma Nova Amiga”. Realizado por François Ozon.
☆ ☆ ☆

L’Amant Double (2017) (94)

Em português “O Amante Duplo”. Realizado por François Ozon.
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Playlist (2021) (95)

Realizado por Nine Antico.
☆ ☆ ☆

Guess Who’s Coming to Dinner (1967) (96)

Em português “Adivinha Quem Vem Jantar”. Realizado por Stanley Kramer.
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Suddenly, Last Summer (1959) (97)

Uma das cenas finais (spoiler), aparentemente filmada em Espanha, recordou-me aquela Espanha tenebrosa com gente perturbadora das fotografias de Frank Capa. Maltrapilhos que acabam a devorar (literalmente) o poeta milionário e diletante. Há uma Espanha que de facto, não gosto. Em português “Bruscamente, No Verão Passado”. Realizado por Joseph L. Mankiewicz.
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Gilda (1946) (98)

Realizado por Charles Vidor.
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The Eiger Sanction (1975) (99)

Realizado por Clint Eastwood.
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AKibiyori (1960) (100)

Gostei de todo o ambiente, as cores da época são incríveis. A ocidentalização, ou ocupação do Japão, estava talvez no auge… A moda, as gravatas, o cachimbo, muitas das bebidas… Até os livros para crianças mostrados são Disney. Em português “O Fim do Outono” (muito apropriado). Realizado por Yasujirô Ozu.
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TV em Junho

Publicado em 01/07/2020

Normal People (primeira temporada, 2020)

O que eu gostei desta série… É sobre encontros, desencontros, a dificuldade em em comunicar, em ler o outro, em percebê-lo. A felicidade e principalmente, a infelicidade. A impossibilidade de evitar cometer os erros nos momentos cruciais. É sobre as prioridades do mundo de hoje, com as quais mesmo duas mentes brilhantes têm imensa dificuldade em lidar. A inversão de valores, ou pelo menos a alteração da sua ordem. É sobre a amizade incondicional — muito mais que o amor —, que une duas pessoas.
Tem sequências de uma intensidade que raramente vi. Daisy Edgar-Jones e Paul Mescal, que actuação extraordinária. Bravo.
☆ ☆ ☆ ☆ ☆

Normal People

Normal People.

Lovesick (primeira temporada, 2014)

Há algo de agradável nesta série, mais uma que retrata uma época que nunca foi a minha, de relações fugazes e em bom rigor sem grande sentido. Com excepção das três personagens principais, as outras são tratadas com grande superficialidade, razão pela qual é necessário ter algum cuidado com as grandes tiradas filosóficas que dali advêm, porque na verdade, é gente que não chega sequer a conhecer-se, quanto mais a ter algum módico de intimidade. Mas está bem escrita e a banda sonora acompanha maravilhosamente. O actor principal é o músico Johnny Flynn. Criado por Tom Edge.
☆ ☆ ☆ ☆

Lovesick (segunda temporada, 2016)

As personagens principais são simpáticas, mesmo o questionável Luke acaba por não ser má pessoa e tem alguns momentos com grande piada. Uma série com alguém chamado Angus (um dos secundários recorrentes) tem necessariamente que ser boa. Criado por Tom Edge.
☆ ☆ ☆ ☆

Lovesick (terceira temporada, 2018)

Decaiu, só a música se manteve em bom nível. Parece que os actores envelheceram de repente, muito mais do que amadureceram no papel. Criado por Tom Edge.
☆ ☆ ☆ ½

The Sinner (primeira temporada, 2017)

Série muito boa com uma excelente Jessica Biel, que também é a produtora. Bill Pullman que já não me lembrava que existia desde que entrou em “The Lost Highway” de Lynch (ou no esquecível “Independence Day”), está incrivelmente bem. Criado por Derek Simonds.
☆ ☆ ☆ ☆ ½

The Sinner (segunda temporada, 2018)

Não me lembro de outra série que viva tanto de regressos ao passado que eu tenha gostado tanto. Normalmente tenho os flashbacks como uma habilidade para resolver coisas que já não fazem sentido, ou para mudar o curso da narrativa sem grande trabalho. Aqui não. Bill Pullman, muito provavelmente, no papel da vida dele. Criado por Derek Simonds.
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Enlightned (primeira temporada, 2011)

A solidão é um tema recorrente e Amy Jellicoe (Laura Dern) apesar de bonita e com uma personalidade algo exuberante (e também auto-destrutiva), vive uma vida de sonhos e correspondentes frustrações. Ou, talvez, seja apenas a dificuldade em ser-se bom, num Mundo que não é lá muito bom. Contraditoriamente também não deixa de ser verdade que, como lhe berra o CEO da Abaddonn, Amy é também um caso mental, que sente tudo e não pensa nada. Criado por Laura Dern e Mike White.
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