Hoje em dia já ninguém lá vai, aquilo está cheio de gente

Artigos etiquetados “cinema 2022

Cinema em Dezembro

Publicado em 31/12/2022

Avec Amour et Acharnement (2022) (112)

Tudo indicava que iria gostar menos, mas a interpretação da desintegração de Sara por Juliette Binoche, prendeu-me. A minha única queixa acaba por ser a música — dos Tindersticks — demasiado dramática e demasiado presente, com excepção para a música final. Em português “Com Amor e com Raiva”. Realizado por Claire Denis.
☆ ☆ ☆ ☆

Jeanne Dielman, 23 Quai du Commerce, 1080 Bruxelles (1975) (113)

O actual “melhor filme de todos os tempos”, segundo o British Film Institute (a lista vale a pena, tem belíssimos filmes), realizado por Chantal Akerman. Nas suas mais de três horas através de câmaras fixas em planos escrupulosamente compostos, acompanhamos três dias da rotina de uma mulher viúva que vive com o filho e recebe o ocasional cavalheiro, para fazer face às despesas. De uma sensação inicial de algum tédio, torna-se impossível não sentir algo por aquela mulher solitária — uma verdadeiramente espantosa Delphine Seyrig. O controle e uma impecável compostura, parecem sempre no limiar da ruptura, o que eventualmente acaba mesmo por acontecer de forma inesperada. (No British Film Institute tem outra lista votada pelos maiores realizadores vivos, este filme aparece um quarto lugar.) Realizado por Chantal Akerman.
☆ ☆ ☆ ☆ ½

Blast of Silence (1961) (114)

Em português “Crime e Silêncio”. Realizado por Allen Baron.
☆ ☆ ☆ ½

Ravenous (1999) (115)

Em português “O Insaciável”. Realizado por Antonia Bird.

Blade Runner 2049 (2017) (116)

Resolvi rever, tinha ido ao cinema em 2017… desta vez não gostei tanto, mas é um bom filme de sci-fi. Realizado por Denis Villeneuve.
☆ ☆ ☆ ☆

Bones and All (2022) (117)

Não é mau, mas não foi realmente a lado nenhum. E sendo o segundo filme do mês onde canibalismo é o prato principal (o primeiro foi o lamentável Ravenous), posso confirmar que não é tema que me encante. Para historieta de amor, serve. Em português “Ossos e Tudo”. Realizado por Luca Guadagnino.
☆ ☆ ☆ ½

Libertad (2021) (118)

Achei a família, como um todo, altamente credível. Realizado por Clara Roquet.
☆ ☆ ☆ ☆

DAU. Natasha (2020) (119)

Algo teatral, mas bom. Realizado por Ilya Khrzhanovskiy e Jekaterina Oertel.
☆ ☆ ☆ ☆

Retfærdighedens Ryttere (2020) (120)

Com o Mads Mikkelsen é sempre de olhar e ver. Em português “Cavaleiros da Justiça”. Realizado por Anders Thomas Jensen.
☆ ☆ ☆ ☆

Anime Nere (2020) (121)

Em português “Almas Negras”. Realizado por Francesco Munzi.
☆ ☆ ☆ ☆

Conte d’Hiver (1992) (122)

Fica só a faltar o “Conto de Primavera”. Em português “Conto de Inverno”. Realizado por Éric Rhomer.
☆ ☆ ☆ ☆

The Banshees of Inisherin (2022) (123)

Em português “Os Espíritos de Inisherin”. Realizado por Martin McDonagh.
☆ ☆ ☆ ☆ ½

Kimi (2022) (124)

Há aqui um ambiente de ficção científica, embora seja a realidade de hoje. Realizado por Steven Soderbergh.
☆ ☆ ☆

The Hit (1984) (125)

Em português “Refém de Boa Vontade”. Realizado por Stephen Frears.
☆ ☆ ☆ ½

Light Sleeper (1992) (126)

A banda sonora, que enquadra o ambiente incrivelmente bem, é de Michael Been (The Call), tem piada constatar que a banda sonora de The Card Counter é de Robert Levon Been (Black Rebel Motorcycle Club), o seu filho. Em português “Perigo Incerto”. Realizado por Paul Schrader.
☆ ☆ ☆ ☆

Aftersun (2022) (127)

Uma quantidade de bons pormenores não chegam… Realizado por Charlotte Wells.
☆ ☆ ☆

Murder on the Orient Express (2017) (128)

Em português “Um Crime no Expresso do Oriente”. Realizado por Kenneth Branagh.
☆ ☆

Official Secrets (2019) (129)

Acabo o ano a ver filmes recentes americanos (neste caso com colaboração inglesa), só para comprovar que de Hollywood vem quase exclusivamente só lixo. Eu lembro-me bem do que foi o início da guerra do Iraque e da destruição de um país porque assim foi decidido em Washington com a conivência do lacaio londrino — mas não me lembro deste caso (em 2003), a poucos jornais terá chegado. Qualquer pessoa teve oportunidade observar em directo o chorrilho de mentiras que Colin Powell apresentou na ONU, os proponentes não tiveram uma resolução favorável apesar de todas as manobras deploráveis e mesmo assim fizeram o que toda a gente sabe e está à vista — e acresce talvez um milhão de mortos. Os mesmos que agora se incham de moral no estado-fantoche Ucrânia e a guerra dos EUA à Rússia por procuração, e a populaça de sempre continua a acreditar nas mesmas mentiras de sempre, se não fosse tão grave, seria bastante fascinante. Como se não bastasse, Keira Knightley é uma actriz sem qualquer interesse. Em português “Segredos Oficiais”. Realizado por Gavin Hood.
☆ ☆ ½

Cinema em Novembro

Publicado em 29/11/2022

Kibiyori (2014) (101)

Realizado por Christian Petzold.
☆ ☆ ☆ ☆

The Sea of Trees (2015) (102)

Em português “O Mar de Árvores”. Realizado por Gus Van Sant.
☆ ☆ ☆

Hvítur, Hvítur Dagur (2019) (103)

Em inglês “A White, White Day”. Realizado por Hlynur Pálmason.
☆ ☆ ☆ ½

Heojil Kyolshim (2022) (104)

Os filmes coreanos têm um formalismo estético que me espanta, tudo super rigoroso. As cores saturadas são extraordinárias e os actores, magníficos, com sequências incríveis e pontos de vista inesperados. Em português “Decisão de Partir”. Realizado por Park Chan-wook.
☆ ☆ ☆ ☆ ½

Black Bear (2020) (105)

Em português “Urso Negro”. Realizado por Lawrence Michael Levine.
☆ ☆ ☆

Martha Marcy May Marlene (2011) (106)

Nós sabemos parte do que aconteceu, mas a irmã de Martha e o seu marido não, nem ela lhes diz. E a dificuldade aqui é confrontar o comportamento deplorável dela, com as razões eventualmente justificadas para tal e que acabam por colher a nossa simpatia — entre as escolhas que se fazem e o eventual azar. Mas, atravessar a situação do casal, o crescendo de emoções cada vez mais descontroladas, seria difícil para qualquer um, o que está muito bem ilustrado pela existência permanente de uma atmosfera inquieta e tensa que já tinha visto no “The Nest“. O final está muito bom e para primeiro filme de Sean Durkin, dificilmente seria melhor. Elizabeth Olsen, também aqui no seu primeiro filme, é sensacional. Tem uma beleza que consegue ir da realeza à vagabundagem, na minha modesta opinião completamente desperdiçada nos filmes Disney/Marvel posteriores. Realizado por Sean Durkin.
☆ ☆ ☆ ☆ ½

Supai no tsuma (2020) (107)

Em português “Mulher de Um Espião”. Realizado por Kiyoshi Kurosawa.
☆ ☆ ☆ ½

She Dies Tomorrow (2020) (108)

Realizado por Amy Seimetz.
☆ ☆

Play (2011) (109)

Mais do que astuto como diz na sinopse, é um filme corajoso, no ambiente de intolerância woke que cada vez se vive mais. Mas é estranho, quase integralmente em planos longos com a câmara fixa, muitas vezes sem ter a acção enquadrada, mas que vamos acompanhando pelas palavras e os sons. É um filme perturbador com uma ou duas coisas que gostaria de “desver”. Realizado por Ruben Östlund.
☆ ☆ ☆ ☆

Mita Tova (2014) (110)

Em português “A Festa de Despedida”. Realizado por Tal Granit e Sharon Maymon.
☆ ☆

Das Vorspiel (2019) (111)

Gostei, mas a tensão familiar de Anna (Nina Hoss) que é transversal desde o pai, ao marido e ao filho, não se consegue entender a sua profundidade. É assim, porque é assim. A relação com o filho e as suas atitudes, com consequências desastrosas, é de uma frieza assinalável. Nina Hoss, magnífica, como sempre. Em português “A Audição”. Realizado por Ina Weisse.
☆ ☆ ☆ ☆

Cinema em Outubro

Publicado em 31/10/2022

Le Skylab (2011) (85)

Em português “O Verão do Skylab”. Realizado por Julie Delpy.
☆ ☆ ☆ ½

Kakushi-toride no san-akunin (1958) (86)

Em português “A Fortaleza Escondida”. Realizado por Akira Kurosawa.
☆ ☆ ☆ ☆ ½

De uskyldige (2021) (87)

A referência que tinha é que é de um dos argumentistas de “A Pior Pessoa do Mundo”, junto com Joachim Trier com quem costuma trabalhar. É bastante melhor do que eu deixo antever, para quem gostar do género. Em português “Os Inocentes”. Realizado por Eskil Vogt.
☆ ☆ ☆

Tytöt tytöt tytöt (2022) (88)

Em inglês “Girl Picture”. Realizado por Alli Haapasalo.
☆ ☆ ☆

Clímax (2022) (89)

Realizado por Gaspar Noé.
☆ ☆

Dans La Maison (2012) (90)

Este é um filme que revi sem me aperceber imediatamente de tal coisa, mas já o tinha visto em 2016, com as mesmas quatro estrelas, mas embora não chegando a mais meia estrela, gostei mais do que da primeira vez. O que não gostei demasiado, foi do fim. Mas é um filme muito bom, com uma ambiguidade onde acaba a realidade e começa a fantasia, tal como onde acaba a ética e começa o voyeurismo. Tem imensos bons momentos, aliás, traduzi alguns em diversos posts durante o mês. Em português “Dentro de Casa”. Realizado por François Ozon.
☆ ☆ ☆ ☆

Frantz (2016) (91)

Realizado por François Ozon.
☆ ☆ ☆ ☆ ½

Transit (2018) (92)

Em português “Em Trãnsito”. Realizado por Christian Petzold.
☆ ☆ ☆ ½

Une Nouvelle Amie (2014) (93)

Em português “Uma Nova Amiga”. Realizado por François Ozon.
☆ ☆ ☆

L’Amant Double (2017) (94)

Em português “O Amante Duplo”. Realizado por François Ozon.
☆ ☆ ☆ ☆

Playlist (2021) (95)

Em português “O Amante Duplo”. Realizado por Nine Antico.
☆ ☆ ☆

Guess Who’s Coming to Dinner (1967) (96)

Em português “Adivinha Quem Vem Jantar”. Realizado por Stanley Kramer.
☆ ☆ ☆ ☆

Suddenly, Last Summer (1959) (97)

Uma das cenas finais (spoiler), aparentemente filmada em Espanha, recordou-me aquela espanha tenebrosa com gente perturbadora das fotografias de Frank Capa. Maltrapilhos que acabam a devorar (literalmente) o poeta milionário e diletante. Há uma Espanha que de facto, não gosto. Em português “Bruscamente, No Verão Passado”. Realizado por Joseph L. Mankiewicz.
☆ ☆ ☆ ☆

Gilda (1946) (98)

Realizado por Charles Vidor.
☆ ☆ ☆ ☆

The Eiger Sanction (1975) (99)

Realizado por Clint Eastwood.
☆ ☆ ☆

Kibiyori (1960) (100)

Gostei de todo o ambiente, as cores da época são incríveis. A ocidentalização, ou ocupação do Japão estava talvez no auge… A moda, as gravatas, o cachimbo, muitas das bebidas… Até os livros para crianças mostrados são Disney. Em português “O Fim do Outono” (muito apropriado). Realizado por Yasujirô Ozu.
☆ ☆ ☆ ☆

Cinema em Setembro

Publicado em 30/09/2022

Conte d’automne (1998) (70)

Em português “Conto de Outono”. Realizado por Éric Rohmer.
☆ ☆ ☆ ☆

Pickpocket (1959) (71)

Em português “O Carteirista”. Realizado por Robert Bresson.
☆ ☆ ☆

Gomorra (2008) (72)

Em português “Gomorra – Director’s Cut”.Realizado por Matteo Garrone.
☆ ☆ ☆

The Broken Circle Breakdown (2015) (73)

Em português “Ciclo Interrompido”. Realizado por Felix van Groeningen.
☆ ☆ ☆

Madeo (2009) (74)

Em português “Mother — Uma Força Única” (estes títulos são inexplicáveis). Realizado por Bong Joon Ho.
☆ ☆ ☆ ☆

Babardeala cu bucluc sau porno balamuc (2021) (75)

Em português “Má Sorte no Sexo ou Porno Acidental”. Realizado por Radu Jude.
☆ ☆

Berlin Alexanderplatz (2020) (76)

Realizado por Burhan Qurbani.
☆ ☆ ☆ ☆ ½

Lacci (2020) (77)

Realizado por Daniele Luchetti.
☆ ☆ ☆ ☆

After Love (2020) (78)

Realizado por Aleem Khan.
☆ ☆ ☆ ½

Tre Piani (2021) (79)

Em português “Três Andares”. Realizado por Nanni Moretti.
☆ ☆ ☆ ½

Du som er i himlen (2021) (80)

Em português “Assim Como No Céu”. Realizado por Tea Lindeburg.
☆ ☆ ☆ ½

Ouistreham (2021) (81)

Em português “Ouistreham – Entre Dois Mundos”. Realizado por Emmanuel Carrère.
☆ ☆ ☆ ☆

I Came By (2022) (82)

Realizado por Babak Anvari.
☆ ☆ ☆ ½

Crimes of the Future (2022) (83)

Um filme que dá à expressão facebookiana “lindo por dentro e por fora” um justo significado. Léa Seydoux é uma actriz que parece estar por todo o lado. Realizado por David Cronenberg.
☆ ☆ ☆ ☆

Funny Pages (2022) (84)

Realizado por Owen Kline.
☆ ☆

Cinema em Agosto

Publicado em 31/08/2022

Okul Tirasi (2021) (63)

Em português “Quando Neva na Anatólia”. Realizado por Ferit Karahan.
☆ ☆ ☆ ½

Le Meraviglie (2014) (64)

Em português “O País das Maravilhas”. Realizado por Alice Rohrwacher.
☆ ☆ ☆ ☆

Truman (2015) (65)

Realizado por Cesc Gay.
☆ ☆ ☆

Simple Men (1992) (66)

Em português “Homens Simples”. Realizado por Hal Hartley.
☆ ☆ ☆ ½

Madres Paralelas (2021) (67)

Em português “Mães Paralelas”. Realizado por Pedro Almodóvar.
☆ ☆

L’Ombre des Femmes (2015) (68)

Em português “À Sombra das Mulheres”. Realizado por Philippe Garrel.
☆ ☆ ☆

A Chiara (2021) (69)

Realizado por Jonas Carpignano.
☆ ☆ ☆ ½

Cinema em Julho

Publicado em 31/07/2022

Este mês parece dedicado a Éric Rhomer e foi suficientemente interessante. Tudo começou com “A Pior Pessoa do Mundo” de Joachim Trier, que cita “O Raio Verde” (que também vi em Março) como uma das influências. Também aproveitei para completar a filmografia de Mia Hansen-Løve e não é coincidência também referir “O Raio Verde” como uma das suas grandes influências.

Le genou de Claire (1970) (48)

Em português “O Joelho de Claire”. Realizado por Éric Rhomer.
☆ ☆ ☆ ☆

Conte d’été (1996) (49)

Gostei imenso deste filme, talvez mais até por ser Verão, de tal forma que vou ver os outras contos na estação do ano respectiva. Amanda Langlet é muito expressiva e magnífica. Em português “Conto de Verão”. Realizado por Éric Rhomer.
☆ ☆ ☆ ☆ ½

Pauline à la plage (1983) (50)

Os actores e principalmente actrizes dos filmes de Éric Rhomer, não parecem verdadeiros actores, parecem pessoas normais, mas invariavelmente com interesse. Verificando na IMDB, muitos nem fotografia têm e em poucos filmes participaram. Amanda Langlet, aqui muito mais nova, mas já muito expressiva, terá participado numa dezena de filmes e pouco mais. Talvez tenha feito carreira no teatro. Em português “Pauline na Praia”. Realizado por Éric Rhomer.
☆ ☆ ☆ ☆

L’amour, l’après-midi (1972) (51)

Parece que Éric Rhomer tentou provar com a sua obra, uma “tese” que eu próprio já imaginei — que há uma dúzia de vidas a serem vividas, se tanto, e repetidas vezes sem conta através dos tempos e que aquilo que muitas vezes nos parece único, é na verdade de uma banalidade assustadora. Os filmes absorvem-nos nessa banalidade, vêmo-nos ali. São filmes inegavelmente interessantes e reflectores. Em português “O Amor às Três da Tarde”. Realizado por Éric Rhomer.
☆ ☆ ☆ ☆ ½

L’ami de mon amie (1987) (52)

Parte da série de ditos e provérbios, o deste é “anigo do meu amigo, meu amigo é”, o que evidentemente está longe de ser verdade. Em português “O Amigo da Minha Amiga”. Realizado por Éric Rhomer.
☆ ☆ ☆ ☆

Les nuits de la pleine lune (1984) (53)

O provérbio apresentado é “quem tem duas mulheres perde a alma, quem tem duas casas perde a cabeça”, não é assim que o conheço — quem perde a alma é quem tem duas casas. É a história de uma mulher que quer uma relação estável nos subúrbios, sem deixar de ter o seu apartamento em Paris, as suas saídas e as suas festas. Parece que não corre lá muito bem porque quando se coloca em causa o que está socialmente aceite e por vezes demorou milhares de anos até apresentar a forma que conhecemos, é necessário ter cuidado e saber-se muito bem que jogo se vai jogar. Um ditado melhor para este filme até seria “quer Sol na eira e chuva no nabal”. Realizado por Éric Rhomer.
☆ ☆ ☆ ☆

Le beau mariage (1982) (54)

Em português “O Bom Casamento”. Realizado por Éric Rhomer.
☆ ☆ ½

Figli (2020) (55)

Em português “Manual de Sobrevivência Para Pais”. Realizado por Giuseppe Bonito.
☆ ☆

Tout est pardonné (2007) (56)

A primeira longa metragem de Mia Hansen-Løve e já com aquele ritmo que me faz gostar imenso.
☆ ☆ ☆ ☆

Le père de mes enfants (2009) (57)

Esta é a segunda longa metragem de Mia Hansen-Løve e assim, já vi todas. E não sendo um mau filme, gostei menos do que o costume. No anterior, achei que tudo o que gosto nos filmes dela já estava em movimento, neste nem tanto.
☆ ☆ ☆ ½

Les rendez-vous de Paris (1995) (58)

Funciona quase como um guia turistico (interessante) de Paris, principalmente o segundo conto. Em português “Os Encontros de Paris”. Realizado por Éric Rhomer.
☆ ☆ ☆ ☆

Blue Valentine (2010) (59)

As expectativas devem ter funcionado contra mim, porque julguei mesmo que ia gostar mais. Ryan Gosling e Michelle Williams estão incríveis, mas é pouco. Há sequências óptimas, mas também é pouco. Não vi nada que sobressaísse realmente de tudo que já vi anteriormente e como é sabido, raramente gosto de flashbacks, que considero uma fraca solução para se contar uma história — que era exactamente necessário saber? Que aquele casal destroçado esteve em tempos (não há muito tempo) muito apaixonado?
Com todos os defeitos, quando ela desiste do aborto é ele que está lá para abraçar e estaria de qualquer forma. O facto é que ele casa com ela e é um pai a valer para uma filha que sabe que provavelmente nem é dele. É ele que tenta introduzir alguma alegria no casamento. É ele que de forma desastrada marca uma noite num motel, no “quarto do futuro”, já quando não há qualquer futuro. Por essa altura começava a beber às oito da manhã e ela tinha desistido há muito. Em português “Blue Valentine – Só Tu e Eu” (e o autor do título!). Realizado por Derek Cianfrance.
☆ ☆ ☆

Ghahreman (2021) (60)

Os telemóveis, as mensagens, os vídeos, as “redes sociais”, todo esse mundo que está a destruir o mundo e a semear, em alguns casos já a cultivar, todas as sementes para um futuro miserável. As mentiras, as meias-verdades piores que as mentiras, a permanente desconfiança do próximo… Que filme assombroso, do início ao fim. Em português “Um Herói”. Realizado por Asghar Farhadi.
☆ ☆ ☆ ☆ ☆

A Bridge Too Far (1977) (61)

Não há nada como um filme de guerra para animar as hostes, mas não animou muito, é bastante fraco, até pateta por vezes… Mas resolvi rever. Em português “Uma Ponte Longe Demais”. Realizado por Richard Attenborough.
☆ ☆ ☆

La Collectionneuse (1967) (62)

Em português “A Coleccionadora”. Realizado por Éric Rhomer.
☆ ☆ ☆ ½

Cinema em Junho

Publicado em 30/06/2022

Les Salauds (2013) (38)

Tenho por aqui esta banda sonora dos Tindersticks e resolvi ver o filme. Realizado por Claire Denis.
☆ ☆ ☆ ☆ ½

Dangsin-eolgul-apeseo (2021) (39)

Em português “Perante o Teu Rosto”. Realizado por Hong Sang-soo.
☆ ☆ ☆ ½

Secrets & Lies (1996) (40)

Em português “Segredos e Mentiras”. Realizado por Mike Leigh.
☆ ☆ ☆ ☆

Offside (2006) (41)

Em português “Offside – Fora-de-Jogo”. Realizado por Jafar Panahi.
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Ta’m e Guilass (1997) (42)

Foi vencedor da Palma de ouro em Cannes, mas não chegou exactamente a convencer-me. Em português “O Sabor da Cereja”. Realizado por Abbas Kiarostami.
☆ ☆ ☆ ½

A Feleségem Története (2021) (43)

Em português “A História da Minha Mulher”. Realizado por Ildikó Enyedi.
☆ ☆ ☆ ☆

Teströl És Lélekröl (2017) (44)

Bem me quis parecer que Ildikó Enyedi é mais uma realizadora a ter em conta e a seguir atentamente (junto com Mia Hansen-Løve ou mais recentemente, Antoneta Alamat Kusijanovic). Este, tal como o anterior, pareceu-me um filme complexo, que partilha um tema comum que me dá ideia ser — porque é que duas pessoas se gostam? Ela é uma mulher interessante fisicamente, mas psicologicamente subdesenvolvida (frequenta aquilo que parece ser um pedopsiquiatra), obsessiva-compulsiva (e não deve ser o único distúrbio de personalidade do catálogo) e uma memória eidética; ele, velho e aleijado, embora um homem que parecve sereno, não chega a ser simpático ou afável. Descobrem que sonham o mesmo sonho e isso é suficiente para se apaixonarem? Já vi quem se apaixonasse por muito menos. Os actores são verdadeiramente magníficos e, tem imagens e pormenores de filmagem que devem andar muito perto do genial. Não fossem as cenas duríssimas do matadouro, que aqui de alguma e misteriosa forma, me parecem justificadas, ainda teria gostado mais. É um filme surpreendente. Em português “Corpo e Alma”. Realizado por Ildikó Enyedi.
☆ ☆ ☆ ☆ ½

Memory Box (2021) (45)

A reconstituição do passado através de cadernos, recortes, fotografias e cassetes está extremamente bem feita, mas é pouco. Deve ser um filme muito significativo para quem viveu a guerra do Líbano. Em português “Caixa de Memórias”. Realizado por Joana Hadjithomas e Khalil Joreige.
☆ ☆ ☆

Dans Paris (2021) (46)

Paul, interpretado por Romain Duris é dos namorados mais desagradáveis que tenho visto no cinema… O indivíduo não tem um átomo de simpatia. Como tem uma namorada é um mistério que se repete a cada passo à nossa volta na vida real, que esteja “muito deprimido” porque a relação (que relação?) acabou, foi algo que em todo o filme não me consegui abstrair de ser merecido. Deve ter sido a primeira vez na vida que senti doses épicas de schadenfreude. Louis Garrel, é sempre o mesmo canastrão francês permanentemente com o insuportável ar de convencido, mas é também sempre de alguma forma convincente. Dir-se-ia que não há filme francês em que não faça a sua aparição, mas ainda só vai em 55, por algum motivo tenho a sensação que são centenas e centenas… Em português “Em Paris”. Realizado por Christophe Honoré.
☆ ☆ ☆ ½

Next Stop, Greenwich Village (1976) (47)

Este é um dos filmes que Joachim Trier citou como influência para realizar “A Pior Pessoa do Mundo” e nota-se. Em português, um daqueles títulos… “Paragem no Bairro Boémio”. Realizado por Paul Mazursky.
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