Hoje em dia já ninguém lá vai, aquilo está cheio de gente

Artigos etiquetados “2016

Cinema em Outubro

Publicado em 30/10/2021

Yeon-ae-dam (2016) (61)

Em inglês “Our Love Story”. Realizado por Hyun-ju Lee.
☆ ☆ ☆

La Prima Notte di Quiete (1972) (62)

Em português “Outono Escaldante”. Realizado por Valerio Zurlini.
☆ ☆ ☆ ☆ ½

La Ragazza Con la Valigia (1961) (63)

Em português “A Rapariga da Mala”. Realizado por Valerio Zurlini.
☆ ☆ ☆ ☆ ☆

The Nest (2020) (64)

É um filme peculiar no seu ambiente permanentemente acastanhado, uma atmosfera de filme de terror num drama familiar do qual não se consegue tirar os olhos. Em português “O Ninho”. Realizado por Sean Durkin.
☆ ☆ ☆ ☆

Pig (2021) (65)

Outro filme peculiar… Já não via o Nicolas Cage num bom papel desde o século passado e mesmo assim, nem me lembro em que filme. Sei que revi o “Wild At Heart” há poucos anos e não gostei mesmo nada… nem da fabulosa Laura Dern. Este quase que chegava a ser um bom filme, mas não é. E o Nicolas Cage… muito intenso de facto, mas sem qualquer carisma. É uma intensidade teatral no mau sentido, não é propriamente um actor brilhante. Realizado por Michael Sarnoski.
☆ ☆ ☆ ½

Le Sel des Larmes (2020) (66)

Em português “O Sal das Lágrimas”. Realizado por Philippe Garrel.
☆ ☆ ☆ ☆

Much Loved (2015) (67)

Em português “Muito Amadas”. Realizado por Nabil Ayouch.
☆ ☆ ☆ ½

The Trip to Greece (2020) (68)

É o quarto filme desta espécie de série e apesar de ter alguns bons momentos entre os habituais Steve Coogan e Rob Brydon (que fazem deles próprios e têm piada), não deixa de ser mais do mesmo. Em português “Viagem à Grécia”. Realizado por Michael Winterbottom.
☆ ☆ ☆

Diana (2018) (69)

Realizado por Alejo Moreno.
☆ ☆ ☆ ½

I Vitelloni (1953) (70)

Realizado por Federico Fellini.
☆ ☆ ☆

The Servant (1963) (71)

Realizado por Joseph Losey.
☆ ☆ ☆

The Stranger (1946) (70)

Realizado por Orson Welles.
☆ ☆

Dune (2021) (71)

Há muito tempo que não via um filme de ficção científica realmente bom, se calhar os últimos foram Arrival (2016) ou Bladerunner 2049 (2017) do mesmo Denis Villeneuve, uma excelente escolha para Dune. Tem sido tudo derivativo, sem ideias e no caso de misérias como Star Wars, constantemente a auto-imitar-se e francamente mau. Nem na banda sonora há o que quer que seja realmente novo, é como se não existisse música a ser feita hoje — aliás nos fraquíssimos trailers que antecederam o filme, lá vieram os Jefferson Airplane e o pobre mais que cansado White Rabbit (de 1967) e Skeeter Davis com The End of the World (de 1962), não se sai disto. Ou melhor, sai, neste filme, que tem um design sonoro verdadeiramente espantoso, se bem que excessivamente alto na sala Imax. Das poucas coisas que não gostei foi do actor Dave Bautista, que está a cara chapada de Drax de Guardians of the Galaxy (2014); as referências à tourada, que francamente acho de um mau gosto incompreensível; as naves tipo libelinha estão óptimas mas foram pedi-las emprestadas ao génio da animação japonês Hayao Miyazaki. Está tudo muito bem feito, todo o cenário, as naves, os fatos, os actores muito bem escolhidos, designadamente Timothée Chalamet sobre o qual tinha as mais persistentes dúvidas. Belíssimo filme, entretenimento de muito alto nível. Realizado por Denis Villeneuve.
☆ ☆ ☆ ☆ ½

Cinema em Julho

Publicado em 31/07/2021

Mal de Pierres (2016) (43)

Gostei da história e do ritmo pausado que percorre todo o filme. E da Marion Cotillard.
Em português “Um Instante de Amor”, porque a tradução do título notoriamente menos vendável é “Pedra Nos Rins”. Também interessante o título em inglês, quem sabe pelo mesmo motivo e mais verdadeiro, “From the Land of the Moon”. Os alemães quase que contavam o filme todo: “Die Frau im Mond – Erinnerung an die Liebe” (A Mulher na Lua – Memória de Amor). Realizado por Nicole Garcia.
☆ ☆ ☆ ☆

No Sudden Move (2021) (44)

Realizado por Steven Soderbergh.
☆ ☆ ☆ ☆

Citizenfour (2014) (45)

Curiosamente um dos produtores executivos é Steven Soderbergh. Podia ser um pouco mais interessante, ou talvez o assunto esteja agora no dia a dia e tenha perdido interesse. Também não percebi que num documentário não exista um tripé e a opção estética e estilistica seja a câmara na mão sem qualquer estabilidade, a focar e a desfocar constantemente. Talvez fosse mais importante eliminar essas distrações e ouvir-se o Snowden. Realizado por Laura Poitras.
☆ ☆ ☆ ½

El Olivo (2016) (46)

Em português “A Oliveira do Meu Avô”. Realizado por Icíar Bollaín.
☆ ☆ ☆ ½

Razzia (2016) (47)

Este filme é algo complexo de seguir e necessita atenção. Em português “Céu de Casablanca”. Realizado por Nabil Ayouch.
☆ ☆ ☆ ½

A Evolução de Uma Colecção de Discos

Publicado em 24/04/2021

Technics SL-1200GR

A tocar Cass McCombs, Mangy Love, 2016.

Por facilidade de linguagem, vou dizer 10 anos. Há 10 anos, notei que o meu gosto musical estava não só a mudar, como a alargar. Músicas que ouvia desde os meus 16 anos, começaram a soar pior, tendo algumas caído na mais completa desgraça e rápido esquecimento. Cumpriram a sua função durante muitos anos e é tudo. Mesmo discos com conotação audiófila, como “Loveless” dos My Bloody Valentine (a minha banda preferida desses tempos) já não são a mesma coisa. Grupos como Cocteau Twins já não suporto e escolhi esta banda consensual só para frisar este ponto, porque há muitas mais. Não digo que são más, não são. O que digo, é que por mim deixaram de fazer o que quer que seja há muito tempo.
Entretanto, quando mudei para a casa actual há mais de dois anos, iniciei uma jornada — ou melhor, iniciei a parte final de uma jornada que começou há mesmo muito tempo e que sempre me fez desejar ter uma aparelhagem de alta fidelidade digna desse nome. Tenho agora uma sala dedicada aos livros e ao som, uma combinação que resulta magnificamente porque os livros são difusores naturais. E tenho três paredes cheias deles. E tenho som.
O que noto é uma translação do gosto musical para outras paragens, nomeadamente, discos bem gravados. Tornou-se penoso ouvir discos mal gravados (com a gama dinâmica destruída para “tocarem muito alto” no rádio do carro), ou no caso do vinil, também discos mal editados, com prensagens muito más. A transparência sonora que permite sair deste mundo quando se ouve um disco, é transversal e o que é mau também faz a sua aparição inevitável. Estas aparelhagens high-end ou super high-end não arredondam o som, nem o amaciam, se a música que se ouve é áspera, aspereza é o que teremos. E não gosto. Discos da Analogue Productions, Craft Records, Sam Records, Impex ou Mobility Fidelity Sound Lab, tornaram-se a base de comparação porque em bom rigor um disco novo editado hoje, não tem razão para não sair com esses índices de perfeição. Essas etiquetas audiófilas trabalham essencialmente com reedições, recorrendo às master tapes originais e o preço acaba por se entender, tendo em conta os resultados. Mas, esgotam permanentemente e os discos atingem valores incomportáveis. Comprei a edição de 2015 do “Kind of Blue” de Miles Davis da Mofi (o qual já tenho em CD, vinil mono e vinil stereo) e na pesquisa reparei que há casas a pedir 400£ por uma cópia (se não me engano custou-me 75,00€, o que apesar de tudo, é bastante por um álbum).
E assim, a minha colecção de CDs está praticamente estagnada, a minha colecção de vinil tem crescido imenso e têm chegado tantos que é difícil dar conta de todos. O satisfatório é que tenho comprado álbuns que são agora os melhores que tenho de qualquer género, como o Legrand Jazz (Michel Legrand) da Impex em 2 x 45rpm ou Chet Baker in New York da Craft Recordings. São discos maravilhosos, inacreditavelmente bons. Neste momento terei 22 discos por ouvir, em grande parte porque comprei mais seis da Sam Records e também chegaram os quatro discos da The New Orleans Collection da Newvelle. E estes discos, em edições notavelmente melhores que as originais, permitem-me descobrir ou redescobrir música que me passou completamente ao lado nos tempos idos.
E para ouvir isto tudo, espero até ao fim deste ano dar um grande passo em direcção ao fim da jornada com o gira-discos Technics SL-1000R e a agulha DS W2 da DS Audio (Também a Shell HS-001). Por acaso neste vídeo (YouTube) tem exactamente esta combinação Technics/DS Audio a tocar.
E depois disto, só é preciso ir comprando uns discos, ter tempo para os ouvir e desfrutar.

TV em Janeiro

Publicado em 31/01/2021

The Night Manager (2016)

John le Carré, que faz uma breve aparição no quarto episódio, queria que Stanley Kubrick adaptasse o seu livro homónimo para o cinema. De uma carta de Kubrick para Carré em 1992 (Twitter):

Unhappily, the problem is still pretty much as I fumbled and bumbled it out to you on the phone yesterday. Essentially: how do you tell a story it took the author 165,000 (my guess) good and necessary words to tell, with 12,000 words (about the number of words you get to say in a two hour movie, based on 150wpm speaking rate, less 30% silence and action) without flattening everybody into gingerbread men?

Esta série criada por David Farr, faz justiça ao livro em cerca de seis horas.
☆ ☆ ☆ ☆

The Good Lord Bird (2020)

Talvez influenciado pelo livro “Defesa de John Brown” de Henry David Thoreau, resolvi ver esta série à espera de algo vagamente histórico. Mas não, é tudo uma farsa em tom de farsa. Criado por Ethan Hawke.
☆ ☆

Barry (primeira temporada, 2018)

Criado por Alec Berg e Bill Hader.
☆ ☆ ☆ ☆ ½

Barry (segunda temporada, 2019)

Passada a surpresa inicial, é uma sucessão de episódios cada vez mais idiotas. Criado por Alec Berg e Bill Hader.
☆ ☆ ☆ ½

Russian Doll (primeira temporada, 2019)

Uma mulher morre e regressa ao ponto de partida (onde já terei visto isso?) — uma casa de banho sobre a qual a dona da casa pergunta se é “suficientemente vaginal” e seja lá o que isso for, é uma amostra das aprofundadas conversas a que se assiste no meio artsy fartsy feminista onde decorre a coisa. Não morre apenas uma vez e regressa, a série é toda assim, infelizmente a criatura faz parte daquele mundo que realmente podia morrer e regressar 1.600.000 vezes que não aprenderia nada. E eu também não aprendi. Criado por Leslye Headland, Natasha Lyonne e Amy Poehler.

True Detective (terceira temporada, 2019)

Dizia Einstein que o passado, presente e futuro não passam de uma ilusão persistente. Esta série faz uso desse conceito de forma brilhante, avançando e recuando décadas sem nunca perder o ritmo. Criado por Nic Pizzolatto.
☆ ☆ ☆ ☆